Carta de recomendação: O que fazer para conseguir uma boa carta e se destacar em meio aos outros candidatos

Se você começou a olhar os requisitos dos departamentos para os quais deseja se candidatar, deve ter percebido que praticamente todos pedem cartas de recomendação. O que varia é a quantidade: podem ser duas, o mais comum são três e algumas universidades permitem enviar até cinco cartas. Via de regra, o ideal é ter três cartas excelentes na mão – e pra isso talvez seja necessário pedir mais do que três cartas por aí.

Por que eu deveria me preocupar com isso agora?

Porque se você ainda está tendo aulas, é hora de puxar o saco construir boas relações com seus professores. Tirar dúvidas fora do horário de aulas, tomar um café com eles, conversar – professor também é gente (dizem). Se você já saiu da universidade, considere dar uma passada por lá, bater um papo, contar pros seus mestres favoritos como anda sua vida. Eles investiram tempo e esforço em você e enxergam seu sucesso com orgulho, como um reflexo do trabalho deles. É importante garantir que os professores lembrem de você de uma forma positiva. Existem boas chances de eles esquecerem suas notas com o tempo – estamos torcendo pra isso -, especialmente se elas não forem nem zero nem dez. Mas as memórias mais vivas deles serão as da sua personalidade, dos projetos que você desenvolveu, de como você sempre foi independente e decidia estudar coisas difíceis, mesmo quando não fazia parte das suas “obrigações”.

Além de investir no relacionamento com os professores, você precisa pedir a carta com antecedência – até 3 meses antes de começar as aplicações. Os seus professores podem ter coisas mais importantes na vida a fazer do que escrever sua carta (um congresso na Europa, submeter um artigo dentro do prazo, corrigir trabalhos e provas, cuidar do filho que está com gripe, pagar aluguel, procrastinar…) e é importante que tenham tempo pra isso. Afinal, você não quer que ele escreva uma carta contra a vontade, com pressa, no final do semestre e brabo porque você só deu uma semana pra ele fazer isso e não para de ligar cobrando. Dito isso, saiba que ele pode esquecer da sua carta e talvez você tenha que lembrá-lo de tempos em tempos.

Pra quem posso pedir uma carta de recomendação?

Comece pelos seus orientadores, especialmente os que acompanharam o seu trabalho de conclusão de curso, seus estágios acadêmicos, ou sua iniciação científica. Se você fez mestrado, melhor ainda: seu orientador e os membros da sua banca provavelmente te conhecem muito bem e podem testemunhar a seu favor.

Depois deles, professores das suas disciplinas favoritas (provavelmente relacionados com a área de pesquisa que você escolheu para a pós-graduação), que te conhecem bem, são uma ótima escolha.

Por último, se você já está trabalhando fora da academia há mais de 5 anos, pode pedir para o seu supervisor mais direto ou um colega de trabalho escrever uma carta de recomendação pra você. No entanto, se seu foco for uma área de pesquisa puramente teórica e longe de uma aplicação imediata, procure satisfazer os requisitos mínimos de cartas de recomendação acadêmicas e use a carta do seu supervisor como adicional.

Faz diferença quem escreve minha carta?

SIM! Preferencialmente, quem escreve sua carta deve ser doutor. Afinal, ele tem autoridade como pesquisador para atestar que você leva jeito pra isso. Se ele for uma figurinha carimbada na área em que você deseja se aprofundar, o nome dele pode ser conhecido pelo comitê de admissões e ter mais peso. Se ele tiver sido ex-aluno ou professor na universidade-alvo, a opinião dele é mais significativa também. Vale notar que, contando para vários professores dos seus planos, existem boas chances de você descobrir conexões que você jamais imaginou que existiam. O mundo acadêmico é um ovo (de codorna).

Lógico, não adianta nada o professor ser o bam-bam-bam se ele não te conhece. Mas às vezes vale a pena trocar aquele professor super gente fina com quem você tomava uma cerveja no final do expediente por um mais reconhecido de quem você pedia opinião quando precisava de um rumo.

Dê preferência a professores que entendam inglês. Mesmo que não escrevam com perfeição (eles podem pedir sua ajuda para traduzir a carta), isso facilita porque eles vão precisar preencher formulários em inglês para enviar as recomendações – já explicaremos isso melhor.

Tá, mas afinal, o que é uma boa carta de recomendação?

Uma boa carta de recomendação fala que você tem as características que farão de você um bom pesquisador (independência, curiosidade, tenacidade, inteligência, motivação interna, disciplina, facilidade para se comunicar por escrito e oralmente), além de qualidades pessoais que farão a convivência com você agradável (honestidade, humildade, capacidade de respeitar prazos, trabalhar em grupo e fazer amizades). Mais do que isso, exemplifica, contando que você demonstrou essas qualidades enquanto aluno em determinadas situações, superando desafios impostos por você mesmo.

Em uma palestra da diretora do Office of Graduate Admissions do Rensselaer Polytechnic Institute foram citados os seguintes trechos de cartas excelentes, médias, e não tão boas assim.

  • Cartas excelentes:

“Jean is one of the brightest and most motivated students I have had a chance to work with in my 30 year career as a researcher… I would not hesitate to sign her immediately in my group.” – Lehigh University Professor

Mr. Stevens has great talent and skills for sciences, potential and qualities to be successful. He is bright, focused, very tenacious, competitive and honest. He is able to work independently or in a group, and his collegiality and leadership skills are remarkable. I urge you to accept Mr. Stevens into the Chemistry program at Rensselaer Polytechnic Institute, and recommend that you offer him a full tuition waiver, an assistantship, or fellowship if there is such availability.” – State University of New York (Oswego) Professor

“Kenneth’s observations on various math topics can often reach a depth rarely met in an undergraduate student. When he speaks, there is always something meaningful and important to say. He performed in class fantastically well, completing all his work, assignments and exams without a single error.” – Cal State Fullerton Professor

  • Cartas medianas (do tipo que não ajuda, mas também não atrapalha):

“In Physics 1568, George’s overall score (based on the homework, midterm exam and final exam) placed him 10th out of 46 students, and I gave him a B+. The average grade in the class is between B- and C+. Thus, George’s grade is a very strong one. Therefore, I strongly recommend George for your program.” – UC, Riverside Professor

“I have known Tiffany for about 2 years. She has taken three of my courses in Fredonia’s physics program. Her performance consistently ranks within the top 15% in each course. Tiffany consistently demonstrates a genuine desire toward the advancement of her educational and professional development. She has also demonstrated a strong record of applying herself to the tasks set before her.” – State University of New York – Fredonia Prof.

  • Cartas não muito boas – essas atrapalharam mesmo:

– Recomendações curtas e genéricas:

“I can certify that I was Justine’s direct supervisor from 3/11 until 9/12.”

“He understands what is expected of him, and works diligently to complete all of his assigned tasks.”

– Recomendações endereçadas à escola errada;

“I would like to recommend her to be admitted to the Whiting School of Engineering at Rensselaer Polytechnic Institute.”

– Recomendações que colocam em dúvida as qualificações do candidato:

“Thomas feels he is prepared for graduate study.”

– Recomendações que não condizem muito com o programa alvo;

– Recomendação para um PhD vinda de um técnico administrativo;

– Recomendação de um professor de disciplina eletiva que não tem relação com a área pretendida.

Como é a estrutura básica de uma carta de recomendação?

Preste atenção nesta parte, porque provavelmente você terá que explicá-la para os seus professores! (É pedir demais para eles lerem as especificações não é?!)

Vamos explicar resumidamente aqui a estrutura básica da carta de recomendação, mas você pode encontrar mais detalhes e exemplos comentados neste site.

A carta de recomendação deve responder, mais ou menos nesta ordem, as seguintes questões:

– Qual é a relação do autor da carta com o aluno?

– O estudante demonstrou vontade de correr riscos intelectuais e ir além da experiência normal de sala de aula?

– O candidato tem alguma qualidade especial, talento ou capacidade de liderança? O que motiva essa pessoa?

– Como o estudante interage com os professores e colegas? Descreva sua personalidade e suas habilidades sociais.

– O que é mais marcante sobre esse estudante?

– O que faz você, professor, acreditar que esse estudante tem as características para ser um bom pesquisador e se integrar bem na Universidade X? Porque a Universidade X é ideal para ele?

– O candidato já passou por alguma decepção ou falhou? Se sim, como ele reagiu?

Finalmente, como os departamentos recebem muitas candidaturas e cartas, a recomendação deve ser constituída de frases fortes e detalhes que tornem fácil lembrar delas mais tarde e associá-las ao candidato. Elas devem ser, sobretudo, honestas. Superlativos e elogios devem ser bem fundamentados, com exemplos e contexto – senão são irrelevantes. Acima de tudo, a carta deve ir além das notas do aluno (elas estão no boletim!) e da performance acadêmica.

Como as cartas de recomendação são enviadas?

Na parte referente às cartas de recomendação dos processos de candidatura à universidade, você listará o nome do professor, título (professor adjunto, professor titular, coordenador de curso…), endereço (da universidade), telefone (da universidade), e email (prefira a conta .edu, já que provedores como gmail e yahoo permitem que qualquer pessoa crie uma conta, possibilitando fraudes).

Você será questionado quanto ao direito de ver sua carta – “Do you waive the right to see the letter of recommendation?”. Sempre responda sim. Por que? Porque mostrar a carta pra você deve ser uma decisão do professor, se ele achar que deve. Alguns optam por não mostrar porque querem evitar que alunos comparem suas cartas. Além disso, se você disser que não, a) seu professor vai saber, e pode achar que você tá desconfiando dele, além de poder se negar a enviar a carta; e b) a universidade pode desconfiar que o professor não foi completamente sincero porque você viu a carta. Mesmo que ele tenha te mostrado, diga que sim, você abre mão do direito de vê-la.

Seu professor receberá um e-mail pedindo para clicar num link único, responder algumas perguntas sobre você (múltipla escolha) e submeter a carta de recomendação (geralmente em pdf).

Quando ele envia a carta, você recebe uma notificação ou o status dela muda para enviada. Você pode e deve lembrar seu professor de enviá-la, mas não faça isso mais de uma vez por semana.

Como faço para pedir uma carta dessas?

  •  Faça uma lista dos professores que te conhecem bem, entendem inglês e preferencialmente são proeminentes na sua área. Coloque em ordem de preferência. Tenha alguns professores reserva em mente se algo der errado.
  •  Procure abordá-los pessoalmente, de forma respeitosa. Explique seus planos e como a ajuda deles é importante pra que deem certo. Se não puder fazer isso pessoalmente, ligue. Dependendo do nível de intimidade, vale usar Skype, Facebook, Whatsapp, Linkedin, Messenger. E-mail também vale, mas é mais impessoal e você corre um risco maior de ser ignorado.
  •  Pergunte se o professor pode escrever uma boa recomendação sobre você. Essa é a chance dele escapar se não se sentir confortável em tecer elogios a seu respeito. Melhor perguntar isso que acabar com uma carta ruim.
  •  Pergunte se ele se não tem problemas em escrever em inglês ou gostaria de ajuda para traduzir a carta. Se ele pedir ajuda, envie a tradução por e-mail e pergunte se ele deseja alterar algo e se a carta reflete realmente a opinião dele.
  •  Leve um currículo e instruções para escrever a carta impressos. Relembre seu professor de experiências que vocês tiveram juntos e que podem ser interessantes na carta de recomendação. Envie uma cópia disso posteriormente por e-mail.
  •  Pergunte quando o professor pode ter a carta pronta. Se ele não cumprir o prazo, mande um e-mail relembrando.
  •  Peça para o professor usar papel timbrado da universidade, carimbar e assinar se possível. Não é requerido, mas acrescenta um tom de formalidade à carta.
  •  Se você fizer o processo pela LASPAU, eles pedem as cartas aos professores e revisam pra saber se é uma carta favorável ou não. Eles avisam se a carta precisar de alterações.
  • Agradeça a ajuda deles no final do processo e, se possível, dê alguma lembrancinha acompanhada de um cartão. Conte pra eles depois em que universidades você foi aprovado.

Resumindo:

Peça cartas de recomendação para pessoas que gostam de você e estão dispostas a preencher formulários e enviá-la várias vezes por você. Não tenha vergonha de pedir: se eles chegaram onde estão, é porque alguém já fez isso por eles. Peça com antecedência, refresque a memória deles sobre a experiência de vocês juntos e tenha bastante calma. Vai dar tudo certo.

 

 

 

Curriculum Vitae (CV): Como prepará-lo para a pós no exterior

O CV (curriculum vitae) é um documento obrigatório e fundamental para qualquer aplicação para estudar em universidades do exterior, seja na graduação, mestrado ou doutorado. Ele traz uma visão geral das principais qualificações e experiências do candidato, tanto a nível profissional quanto acadêmico. É usado pelos avaliadores para fazer uma triagem inicial dos inscritos, a fim de decidir quais das milhares de candidaturas merecem uma análise mais detalhada.

Ah, mas eu já sei fazer currículo faz tempo, já mandei para inúmeras empresas e me rendeu boas entrevistas…

Cuidado! Mesmo que você já tenha bastante experiência com CV’s, é importante que você leia esse post por dois motivos principais:

  1. Estamos falando de um currículo acadêmico, e não profissional (o texto será direcionado mais para o PhD, mas vários pontos são aplicáveis a diferentes contextos). O foco é outro.
  2. O documento será enviado para uma instituição no exterior, que tem outra cultura de formatação e conteúdo. Aqui, nos basearemos no caso dos EUA, portanto lembrem-se de checar eventuais mudanças de requerimentos em outros países, mesmo que também sejam de língua oficial inglesa.

Que tal se eu pegar meu Currículo Lattes e jogar no Google Tradutor?

Pelamordedeus, não! Para quem não sabe: o currículo lattes é um CV acadêmico obtido por meio de uma plataforma online horrível que vive dando pau do CNPq, que depois gera um texto feioso no formato .rtf. Você realmente vai precisar disso para se candidatar à bolsa do Ciência sem Fronteiras , por exemplo (caso não tenha ainda, pode começar a ir preenchendo online), mas ele é bastante detalhado e complexo, e não é o mesmo arquivo que você vai utilizar nas aplicações específicas de cada universidade.

O mesmo vale para CV’s de sites como Catho, Vagas.com ou LinkedIN. Esses, além de geralmente terem foco mais profissional, contêm demasiadas informações que não são de interesse para o comitê universitário que irá avaliar sua candidatura. De qualquer forma, mesmo que você tenha de fato um currículo pequeno e sucinto feito no Word, não é interessante traduzi-lo (nem no Google Tradutor, nem por conta), mas sim escrever um novo, do zero, em inglês.

Comece do zero - e em inglês!
Comece do zero – e em inglês!

Nossa, como faz?

Inicialmente, lembre-se que o currículo é um resumo (tanto que um sinônimo em inglês é résumé – emprestado do francês), ou seja: você precisa ser o mais breve, claro e objetivo o possível. Tipicamente, o CV deve ter entre 2 e 4 páginas: mais que isso pode se tornar longo, chato e confuso – um prato cheio para encher o saco do avaliador e eliminar um candidato. Lembrem-se: aqui não é lugar para contar histórias, apresentar opiniões, sentimentos, críticas ou julgamentos (guarde essas coisas para o statement of purpose – em breve, no Abroaders).

Regras gerais de formatação: Utilize fontes básicas, como Times New Roman, Arial ou Calibri (nada de Comic Sans, hein? – e isso também vale pra vida!). Tamanho de 10 a 12 (eu costumo utilizar 12 para os títulos das seções e 11 para o texto) e espaçamento simples. Não empregue sublinhado, tachado e efeitos de texto como sombreamento e realce. Evite fontes coloridas e use negrito e itálico com parcimônia. Se quiser (e couber), pode pular uma linha entre cada item, para não ficar muito espremido. Em geral, não há nenhum padrão particular sobre margens. Algumas universidades podem ter requerimentos específicos de formato e número de páginas/caracteres/palavras (você pode fazer uma estimativa aqui), é importante sempre verificar direito.

Importante: nos EUA, o padrão oficial de página é o letter size (carta), que é ligeiramente menor que o A4 – você tem que lembrar de configurar a página corretamente no Word. Eles também costumam alinhar o texto à esquerda (e não justificado) e não dão recuo de parágrafo (tab), por mais estranho e feio que isso possa parecer. Outra diferença: o CV deve ter numeração de página (sem formato específico).

O currículo deve conter apenas texto; ou seja, sem figuras, gráficos, diagramas, tabelas, caixas de texto, linhas, auto-shapes, símbolos, etc. Nada de foto do candidato! E o arquivo não é uma carta, então não coloque data atual, saudações, despedidas ou assinaturas. O conteúdo será estruturado na forma de tópicos, divididos em seções que serão exploradas na sequência. Antes; algumas regras e observações gerais:

  • Liste cada informação relevante em um tópico, podendo utilizar marcadores (como esses “bullet points” que estou empregando agora), em ordem cronológica reversa dentro de cada seção. Sempre que aplicável, inclua local e data (mês e ano de início e término). Caso seja algo em curso, sinalize – exemplo: “March 2013 – present“.
  • Para descrever suas atribuições e atividades, use apenas fragmentos de frases no lugar de orações completas, empregando “action verbs no passado simples, tais como: achieved, produced, taught, participated, coordinated, performed, managed, reviewed, conducted, presented, employed, planned, created, developed, searched, studied, analyzed, projected, designed, built, entre outros. Se for algo atual, use o tempo presente.
  • Não utilize pronomes, sobretudo os pessoais, como Iyou. Evite também contrações, como can’t it’s.
  • Quando colocar uma sigla ou abreviação que não seja de uso comum, explique o seu significado. Exemplo: LASPAU (Academic and Professional Programs for the Americas – que aliás não tem mais nada a ver com a sigla, mas tudo bem).
  • Não traduza nomes de universidades, empresas e cidades! Exemplo: “Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)”, e não “State University of Campinas” (sim, é para deixar em português mesmo!).
  • Em geral, as aplicações online vão requerer os arquivos nos formatos .doc, .docx ou .pdf. Algumas, entretanto, podem pedir para que você copie e cole (ou escreva) o texto direto num campo específico de formulário. Nesses casos, é interessante evitar caracteres que não existem na língua inglesa (como à, ê, í, õ, ü, ç), que podem desconfigurar.

Antes das seções propriamente ditas, você pode listar alguns dados pessoais logo abaixo do seu nome, tais como nacionalidade, telefone (lembre-se de incluir o código internacional do Brasil: +55) e e-mail. Não há necessidade de incluir endereço (mesmo que tenha um no exterior). Não ponha no seu CV informações como idade, profissão, gênero, data de nascimento e estado civil, pois isso aqui não é ficha para participar do Big Brother você terá campos específicos para preencher esses dados nos formulários das aplicações online. Também não se deve colocar números de documentos como passaporte, RG, CPF e conselhos de ordem profissional (CREA, OAB, CRM, etc). Evite fornecer seu perfil em redes sociais porque você não vai querer seu orientador fuçando no seu facebook, a não ser que isso seja relevante para a sua profissão (como para quem trabalha com marketing, por exemplo). Pode-se incluir, entretanto, blogs e outras publicações eletrônicas relacionadas ao tema da pós-graduação.

O currículo não terá uma categoria de “Objetivos” – já que aqui ele é apenas um e óbvio: cursar um PhD na universidade de escolha. Seguem as principais seções que devem ser contempladas, nesta ordem (perceba o foco acadêmico):

  • Educational Experience: liste, do mais recente (ou atual) ao mais antigo, cada título e grau relevante obtido, indicando nome da universidade, local e data. Não inclua ensino médio e fundamental e jardim de infância (a não ser ensino técnico relacionado à área pretendida). Inclua cursos em andamento, mas não cursos incompletos (desistências). Lembrem-se que cada título aqui listado terá que ser comprovado futuramente por apresentação de diploma (ou certificado de conclusão) e histórico escolar. Você pode incluir o título de sua tese, dissertação, monografia ou TCC (em inglês!). Não é obrigatório, para alunos estrangeiros, indicar notas (nem mesmo o GPA), mas podem-se inserir prêmios e reconhecimentos por bom desempenho escolar.

Nota sobre alguns termos: graduation é o baile de formatura! O que nós chamamos de graduação é undergraduate degree em inglês. Graduate degree seria a nossa pós-graduação (e postgraduate, algo como o pós-doutorado). O melhor é indicar o nome do título mesmo, como bachelor, licenciate, master, specialist, etc. Entenda melhor a terminologia neste post.

  • Additional Coursework: liste, de forma análoga ao anterior, cursos extras (que não conferem título ou grau, como cursos livres, extensões, seminários, etc.) relevantes para a área pretendida.
  • Scholarships and Awards: indique bolsas e prêmios (seja em dinheiro, brindes ou simbólicos) recebidos ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional, desde que tenham relevância, explicitando o nome da bolsa, a instituição concedente e o motivo. Pode-se incluir auxílios e financiamentos a projetos de pesquisa (como iniciações científicas), patrocínios de empresas, programas de monitoria, competições e concursos, intercâmbios, reconhecimentos diversos, show do milhão, entre outros.

Atenção: apenas insira sua bolsa do Ciência sem Fronteiras se a mesma já estiver sido concedida! Mas caso você tenha sido pré-selecionado por alguma instituição parceira (como a LASPAU), você pode incluir isso no currículo.

  • Professional Experience: liste, do mais recente (ou atual) ao mais antigo, cada emprego ocupado na área pretendida, indicando nome e localidade da empresa, datas de início e fim, título e uma breve descrição do cargo ocupado (principais responsabilidades e atividades desenvolvidas – lembre-se de utilizar frases curtas, sem pronomes e com action verbs). Inclua – caso aplicável – estágios (remunerados ou não), negócios próprios e atuações como autônomo e freelancer.
  • Research Experience / Teaching Experience: liste, de maneira semelhante, cada experiência relevante obtida em atividades de pesquisa e/ou ensino, indicando o nome dos projetos. Você pode fazer duas seções separadas ou apenas uma, ou ainda incluir essas informações dentro da própria experiência profissional, para evitar a repetição. Lembre-se que aqui o foco é nas atividades desenvolvidas, e não nas eventuais bolsas, que devem vir em separado na seção específica indicada anteriormente.
  • Publications: liste as publicações relevantes feitas em periódicos ou congressos, nas quais você é o autor (ou um dos autores principais). O título da publicação deve vir em inglês, podendo ser apresentado também no idioma original entre parênteses. Entretanto, os nomes do periódico e da instituição devem vir em português mesmo e, se possível, acompanhado do número do volume e das páginas. Inclua nessa seção não apenas artigos, resenhas e matérias, mas também manifestos, capítulos de livros, pôsteres apresentados em congressos e simpósios, produções artísticas e culturais, aquela escultura de argila que você fez para o dia das mães em 1994, etc.
  • Skills: liste outras habilidades e técnicas importantes, tais como idiomas (sim, português inclusive) e informática, indicando grau de proficiência. Pode incluir linguagens de programação e softwares como os do Microsoft Office; ferramentas de desenho; sistemas de organização e gestão empresarial; softwares de produção, tratamento e edição de imagens, vídeos e sons etc. Evite coisas muito básicas e vagas, como “windows e internet”. E nada de escrever coisas como: “proatividade, espírito de líder, criativo, trabalha bem em equipe” etc.

“Nossa, mas eu não tenho publicação, não tenho experiência acadêmica, não tenho nenhuma habilidade nada disso!” Calma, não se aflija: as universidades entendem que muitos dos candidatos são recém-saídos da graduação e não tiveram tempo para já apresentarem um CV excepcional. Na verdade, a única seção realmente obrigatória dessas acima é a primeira (já que você precisa ter no mínimo um curso superior para se inscrever). A missão de convencer que eles devem te admitir mesmo assim vai ficar para o SoP, que será tema de um post na próxima semana. Enquanto isso, para encher linguiça e atingir pelo menos duas páginas de currículo, você pode adicionar outras seções opcionais:

  • Professional Affiliations / Community Organizations / Volunteer Activities / Events: você pode incluir no seu currículo qualquer outra experiência relevante, principalmente aquelas que demonstram habilidades como liderança (em vez de simplesmente citar que tem isso na seção skills). Isso inclui participação de grupos acadêmicos como empresa júnior, grêmio estudantil, centro acadêmico, associação atlética, grupos de estudos, representação discente, AIESEC e outros. Também pode inserir trabalhos voluntários (de cunho social ou não), organização de eventos universitários, participação em intercâmbios, ONG’s e outras organizações comunitárias. Só cuidado para se ater a experiências que realmente agreguem algo em seu CV e não ficar listando centenas de atividades só para dar “mais corpo” ao arquivo.

Parece difícil hein? Não tem uns prontos aí para dar uma luz?

Mas é claro, jovem! Já pensamos nisso. Veja aqui alguns exemplos de currículos bem-sucedidos para lhe inspirar e ajudar a elaborar o seu próprio. Abroaders é amor.

Por fim, uma última dica: assim que terminar, passe um corretor ortográfico, leia de novo algumas vezes e peça para algum falante nativo dar uma lida – não só para corrigir a gramática, mas também o estilo, para tentar deixar o texto o mais natural possível. Tome muito cuidado com o Google Tradutor, prefira alguns sites que traduzem expressões em contextos específicos, como o Linguee. Em caso de dúvida sobre algum termo específico da área, melhor consultar um especialista.

 

 

Pedro Menchik é colaborador do Abroaders e escreve regularmente no seu próprio blog Alimentando a Discussão, onde trata sobre polêmicas e curiosidades envolvendo os alimentos. 

Enviando documentos: diplomas, transcripts, traduções juramentadas e o tal do coversheet form

O MINISTÉRIO DO BOM SENSO ADVERTE: as dicas a seguir foram escritas com base no processo de doutorado pleno pelo Ciência sem Fronteiras, para os Estados Unidos da América, por intermédio da LASPAU. Porém todas elas podem servir para outros candidatos a outros processos e, naturalmente, com outros destinos.

[Um post de Livia Palmerston e Nanda Cruz Rios]

Seja você candidato a uma pós-graduação pelo Ciência sem Fronteiras ou não, certamente chegará o momento de enviar seus documentos para os órgãos competentes. No caso de quem vai para os EUA pelo CsF, por exemplo, este órgão é a LASPAU. Caso você vá para a Austrália, o Latino Australia Education; no caso da Holanda, o órgão parceiro é o NUFFIC, e assim por diante. Cada processo tem suas regras e prazos específicos, mas via de regra todos nós teremos que enviar nossos documentos – seja para os órgãos, seja para as universidades (no caso de uma candidatura independente).

Dentre os documentos obrigatórios solicitados para envio normalmente estão o diploma de graduação e mestrado, o histórico escolar de todas a disciplinas cursadas em cada graduação e suas respectivas traduções juramentadas. E por favor, não me vá enviar seus diplomas e históricos originais. São solicitadas cópias certificadas desses documentos. Então, vamos por partes.

Diploma

Caso você ainda não tenha concluído a graduação ou o mestrado, você pode solicitar na universidade, provavelmente na coordenação do curso, um termo que declara que você está cursando as disciplinas e irá concluir o curso no período X, sendo que este período, obviamente, deve ser prévio ao início do mestrado/doutorado. Se já estiver formado e possuir os diplomas originais, daí você deve utilizá-los. Fique atento ao número de cópias exigidas para cada documento. Se, por exemplo, o órgão parceiro ou a universidade solicita duas cópias de cada documento, cuide para que você envie ambas as cópias certificadas¹.

De novo: nada de enviar os seus diplomas originais, jovem. E se já tiver feito isso não conte a ninguém, a não ser que queira virar motivo de piada entre alguns coleguinhas menos solidários, que acompanharão seu desespero comendo pipoca (eu faria isso, não vou mentir).

Histórico escolares ou transcripts (é a mesma coisa, só para constar)

No caso da não conclusão do curso na época do envio, deve ser feito praticamente o mesmo procedimento dos diplomas. Você solicita o histórico incompleto e novamente faz as cópias e certifica uma por uma¹ (já vamos falar sobre isso). Se já concluiu o curso, deve ter o histórico em mãos (se não tiver, peça na universidade), então é só seguir as mesmas orientações.

Mas o que é esta certificação, afinal?

¹ É um processo bastante simples para quem tem fácil acesso à Universidade que emitiu o diploma. Por que isso? Porque basta se dirigir à secretaria ou coordenação da Universidade com os documentos (diploma e histórico – originais e cópias) em mãos e solicitar ao funcionário responsável que carimbe e assine atestando a “conferência com o original”. Normalmente isso pode ser feito em poucos minutos, dependendo da boa vontade dos envolvidos.

Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?
Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?

Bem… não. Infelizmente, não pode. A autenticação no cartório não vale para universidades. Parece estranho, mas uma assinatura de um funcionário da universidade atestando que a cópia confere com o original conta mais que autenticação em cartório. Na verdade, só ela é válida (sabe-se lá por que razão, mas não estamos aqui para contestar o sistema). Então, se você mora em uma cidade ou estado diferente de onde se formou, temos uma má notícia: você terá que viajar para certificar suas cópias. Ou pedir a alguém, ligar, chorar, dar um jeito: o fato é que a Universidade tem que carimbar o diabo das cópias, e ela tem que fazer isto olhando para os documentos originais.

Traduções juramentadas

Uma tradução juramentada é uma tradução pública, feita pelo chamado tradutor juramentado. Ele é um intérprete comercial habilitado em um ou mais idiomas estrangeiros e português, nomeado e matriculado na junta comercial do seu estado². Somente a tradução juramentada é reconhecida oficialmente pelas universidades nos EUA – e provavelmente nos outros países também, cheque direito os documentos necessários junto às universidades e/ou órgãos parceiros que estão intermediando sua candidatura.

² A junta comercial do seu estado vai lhe fornecer os nomes, endereços e telefones dos tradutores juramentados disponíveis. Dê um Google em “junta comercial nome-do-estado” e procure a aba/link “tradutores”. O preço é tabelado.

A tradução juramentada é necessária e já adianto que vai doer no bolsoAlém de ser onerosa, em alguns casos de órgãos parceiros como a LASPAU, a tradução original deve ser enviada por correio. Logo, se você estiver se candidatando de modo independente para outros países e outras universidades, terá que enviar mais de um documento original de tradução, o que significa gastar o dobro, o triplo, o quádruplo… etc, dependendo de para quantos lugares terá que enviar. Você já deve ter percebido que a vantagem de um órgão parceiro intermediar sua candidatura é que, dependendo das regras do jogo, você só precisa enviar uma tradução original e eles se encarregarão de realizar as cópias certificadas por eles próprios e distribuir entre as X universidades para as quais você está se candidatando.

“Ah, mas eu não posso pedir pra um amigo traduzir e levar na universidade pra eles conferirem e certificarem?”

Não.

“Posso pedir para o tradutor da Universidade traduzir e certificar?”

Não.

Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?
Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?

Não, você não pode. Nem você, nem seu amigo, nem seu professor de inglês, nem o tradutor da sua Universidade, nem mesmo o papa pode. A não ser que a própria universidade emita o documento oficial já em inglês, nenhuma certificação é válida.

NO ENTANTO, SABE QUEM PODE? A EDUCATION USA!

Gente, ó, dica de mestre, viu. O EducationUSA faz o serviço de traduções por e-mail! Isso é especialmente útil para aqueles que moram em cidades onde não tem tradutores juramentados disponíveis (sim, corre este risco). Se você mora em Jericoatinga do Caboaté, por exemplo, não terá que ir até a capital do seu estado (que neste caso, é fictício, hahaha) numa verdadeira saga em busca do tradutor perdido. Cliquem neste link e vejam como funciona!

Outros documentos e certificados

Se você possuir alguma outra especialização que irá contribuir no seu processo seletivo, os documentos referentes a esse curso também poderão ser enviados seguindo as mesmas instruções quanto às cópias, certificações e traduções juramentadas. Vale ressaltar que só será válido curso ou especialização que tiver lhe conferido um diploma, de preferência com notas. Mini-cursos, escolas, workshops, etc, que geralmente fornecem um certificado de participação, não são relevantes neste caso. No entanto, eles podem constar no seu currículo.

Opções de envio dos documentos

Finalmente, para o envio, você terá algumas opções, que irão variar no preço e na disponibilidade do serviço prestado na sua região. Gente, vejam bem, percebam que estamos falando do envio dos documentos físicos. Esqueçam envio digital neste caso (claro que você vai mandar por meio digital ou físico aquilo que lhe for instruído; neste tópico, porém, vamos tratar do envio físico, que é o que gera dúvidas).

É sugerido pela LASPAU, por exemplo, que o envio seja realizado por FedEx, UPS ou EMS, por se tratar de companhias confiáveis e disponibilizar o rastreamento da mercadoria. A FedEx tem até um sistema de agendamento, onde eles passam na sua casa para retirada da mercadoria, caso não haja um posto em sua cidade. Sedex Mundi e DHL, entretanto, também podem ser utilizados para o envio com resultados confiáveis, a escolha é sua.

Só faça este envio com antecedência para garantir que a documentação vai chegar em tempo hábil nos EUA. Uma dica para economizar é juntar dois ou mais candidatos, marcarem uma data quando todos estiverem com a documentação completa em mãos e colocarem seus envelopes juntos na caixa de envio. Fica mais em conta e vocês podem ainda marcar um happy hour depois!

… e o que é o coversheet form?

Ahh, o famoso coversheet form é na verdade uma piada interna dos candidatos ao doutorado para os EUA pelo Ciência sem Fronteiras / LASPAU. O que aconteceu foi que a LASPAU inventou de colocar entre os documentos solicitados um tal de “coversheet form”. Pronto, instaurou-se o pânico generalizado. Que diabos era isso?? Por meses, esta pergunta aparecia nas redes sociais, até muito tempo depois de já ter sido respondida pelo menos 397 vezes. Bom, coversheet form nada mais é que um check list que você anexa como capa de toda documentação que é enviada pelo correio para o escritório da LASPAU. Esse check list é fornecido pela própria instituição e você o imprime e marca ali os documentos que estão no envelope. Ou seja: era APENAS uma folha de papel com uma lista de documentos e quadradinhos para pintar de acordo com o que você estivesse enviando. Com certeza, todo processo tem coversheet form da vida, que vai virar piada passado o desespero…