E-book: GRE Detonado!!! Todas as dicas para você vencer este chefão!

Boa noite, #teamAbroaders!!!

Vamos falar sobre GRE?? É um daqueles exames necessários que você tem que fazer para conseguir sua pós-graduação em alguns países (como os EUA, por exemplo). É bastante importante e pode ser o seu pior pesadelo ou um excelente critério de desempate – ao seu favor! Tudo depende de como você se prepara para ele.

Quer saber mais?

Temos um e-book saindo do forno para vocês!!

Baixe o GRE Detonado clicando na imagem acima!
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Carta de recomendação: O que fazer para conseguir uma boa carta e se destacar em meio aos outros candidatos

Se você começou a olhar os requisitos dos departamentos para os quais deseja se candidatar, deve ter percebido que praticamente todos pedem cartas de recomendação. O que varia é a quantidade: podem ser duas, o mais comum são três e algumas universidades permitem enviar até cinco cartas. Via de regra, o ideal é ter três cartas excelentes na mão – e pra isso talvez seja necessário pedir mais do que três cartas por aí.

Por que eu deveria me preocupar com isso agora?

Porque se você ainda está tendo aulas, é hora de puxar o saco construir boas relações com seus professores. Tirar dúvidas fora do horário de aulas, tomar um café com eles, conversar – professor também é gente (dizem). Se você já saiu da universidade, considere dar uma passada por lá, bater um papo, contar pros seus mestres favoritos como anda sua vida. Eles investiram tempo e esforço em você e enxergam seu sucesso com orgulho, como um reflexo do trabalho deles. É importante garantir que os professores lembrem de você de uma forma positiva. Existem boas chances de eles esquecerem suas notas com o tempo – estamos torcendo pra isso -, especialmente se elas não forem nem zero nem dez. Mas as memórias mais vivas deles serão as da sua personalidade, dos projetos que você desenvolveu, de como você sempre foi independente e decidia estudar coisas difíceis, mesmo quando não fazia parte das suas “obrigações”.

Além de investir no relacionamento com os professores, você precisa pedir a carta com antecedência – até 3 meses antes de começar as aplicações. Os seus professores podem ter coisas mais importantes na vida a fazer do que escrever sua carta (um congresso na Europa, submeter um artigo dentro do prazo, corrigir trabalhos e provas, cuidar do filho que está com gripe, pagar aluguel, procrastinar…) e é importante que tenham tempo pra isso. Afinal, você não quer que ele escreva uma carta contra a vontade, com pressa, no final do semestre e brabo porque você só deu uma semana pra ele fazer isso e não para de ligar cobrando. Dito isso, saiba que ele pode esquecer da sua carta e talvez você tenha que lembrá-lo de tempos em tempos.

Pra quem posso pedir uma carta de recomendação?

Comece pelos seus orientadores, especialmente os que acompanharam o seu trabalho de conclusão de curso, seus estágios acadêmicos, ou sua iniciação científica. Se você fez mestrado, melhor ainda: seu orientador e os membros da sua banca provavelmente te conhecem muito bem e podem testemunhar a seu favor.

Depois deles, professores das suas disciplinas favoritas (provavelmente relacionados com a área de pesquisa que você escolheu para a pós-graduação), que te conhecem bem, são uma ótima escolha.

Por último, se você já está trabalhando fora da academia há mais de 5 anos, pode pedir para o seu supervisor mais direto ou um colega de trabalho escrever uma carta de recomendação pra você. No entanto, se seu foco for uma área de pesquisa puramente teórica e longe de uma aplicação imediata, procure satisfazer os requisitos mínimos de cartas de recomendação acadêmicas e use a carta do seu supervisor como adicional.

Faz diferença quem escreve minha carta?

SIM! Preferencialmente, quem escreve sua carta deve ser doutor. Afinal, ele tem autoridade como pesquisador para atestar que você leva jeito pra isso. Se ele for uma figurinha carimbada na área em que você deseja se aprofundar, o nome dele pode ser conhecido pelo comitê de admissões e ter mais peso. Se ele tiver sido ex-aluno ou professor na universidade-alvo, a opinião dele é mais significativa também. Vale notar que, contando para vários professores dos seus planos, existem boas chances de você descobrir conexões que você jamais imaginou que existiam. O mundo acadêmico é um ovo (de codorna).

Lógico, não adianta nada o professor ser o bam-bam-bam se ele não te conhece. Mas às vezes vale a pena trocar aquele professor super gente fina com quem você tomava uma cerveja no final do expediente por um mais reconhecido de quem você pedia opinião quando precisava de um rumo.

Dê preferência a professores que entendam inglês. Mesmo que não escrevam com perfeição (eles podem pedir sua ajuda para traduzir a carta), isso facilita porque eles vão precisar preencher formulários em inglês para enviar as recomendações – já explicaremos isso melhor.

Tá, mas afinal, o que é uma boa carta de recomendação?

Uma boa carta de recomendação fala que você tem as características que farão de você um bom pesquisador (independência, curiosidade, tenacidade, inteligência, motivação interna, disciplina, facilidade para se comunicar por escrito e oralmente), além de qualidades pessoais que farão a convivência com você agradável (honestidade, humildade, capacidade de respeitar prazos, trabalhar em grupo e fazer amizades). Mais do que isso, exemplifica, contando que você demonstrou essas qualidades enquanto aluno em determinadas situações, superando desafios impostos por você mesmo.

Em uma palestra da diretora do Office of Graduate Admissions do Rensselaer Polytechnic Institute foram citados os seguintes trechos de cartas excelentes, médias, e não tão boas assim.

  • Cartas excelentes:

“Jean is one of the brightest and most motivated students I have had a chance to work with in my 30 year career as a researcher… I would not hesitate to sign her immediately in my group.” – Lehigh University Professor

Mr. Stevens has great talent and skills for sciences, potential and qualities to be successful. He is bright, focused, very tenacious, competitive and honest. He is able to work independently or in a group, and his collegiality and leadership skills are remarkable. I urge you to accept Mr. Stevens into the Chemistry program at Rensselaer Polytechnic Institute, and recommend that you offer him a full tuition waiver, an assistantship, or fellowship if there is such availability.” – State University of New York (Oswego) Professor

“Kenneth’s observations on various math topics can often reach a depth rarely met in an undergraduate student. When he speaks, there is always something meaningful and important to say. He performed in class fantastically well, completing all his work, assignments and exams without a single error.” – Cal State Fullerton Professor

  • Cartas medianas (do tipo que não ajuda, mas também não atrapalha):

“In Physics 1568, George’s overall score (based on the homework, midterm exam and final exam) placed him 10th out of 46 students, and I gave him a B+. The average grade in the class is between B- and C+. Thus, George’s grade is a very strong one. Therefore, I strongly recommend George for your program.” – UC, Riverside Professor

“I have known Tiffany for about 2 years. She has taken three of my courses in Fredonia’s physics program. Her performance consistently ranks within the top 15% in each course. Tiffany consistently demonstrates a genuine desire toward the advancement of her educational and professional development. She has also demonstrated a strong record of applying herself to the tasks set before her.” – State University of New York – Fredonia Prof.

  • Cartas não muito boas – essas atrapalharam mesmo:

– Recomendações curtas e genéricas:

“I can certify that I was Justine’s direct supervisor from 3/11 until 9/12.”

“He understands what is expected of him, and works diligently to complete all of his assigned tasks.”

– Recomendações endereçadas à escola errada;

“I would like to recommend her to be admitted to the Whiting School of Engineering at Rensselaer Polytechnic Institute.”

– Recomendações que colocam em dúvida as qualificações do candidato:

“Thomas feels he is prepared for graduate study.”

– Recomendações que não condizem muito com o programa alvo;

– Recomendação para um PhD vinda de um técnico administrativo;

– Recomendação de um professor de disciplina eletiva que não tem relação com a área pretendida.

Como é a estrutura básica de uma carta de recomendação?

Preste atenção nesta parte, porque provavelmente você terá que explicá-la para os seus professores! (É pedir demais para eles lerem as especificações não é?!)

Vamos explicar resumidamente aqui a estrutura básica da carta de recomendação, mas você pode encontrar mais detalhes e exemplos comentados neste site.

A carta de recomendação deve responder, mais ou menos nesta ordem, as seguintes questões:

– Qual é a relação do autor da carta com o aluno?

– O estudante demonstrou vontade de correr riscos intelectuais e ir além da experiência normal de sala de aula?

– O candidato tem alguma qualidade especial, talento ou capacidade de liderança? O que motiva essa pessoa?

– Como o estudante interage com os professores e colegas? Descreva sua personalidade e suas habilidades sociais.

– O que é mais marcante sobre esse estudante?

– O que faz você, professor, acreditar que esse estudante tem as características para ser um bom pesquisador e se integrar bem na Universidade X? Porque a Universidade X é ideal para ele?

– O candidato já passou por alguma decepção ou falhou? Se sim, como ele reagiu?

Finalmente, como os departamentos recebem muitas candidaturas e cartas, a recomendação deve ser constituída de frases fortes e detalhes que tornem fácil lembrar delas mais tarde e associá-las ao candidato. Elas devem ser, sobretudo, honestas. Superlativos e elogios devem ser bem fundamentados, com exemplos e contexto – senão são irrelevantes. Acima de tudo, a carta deve ir além das notas do aluno (elas estão no boletim!) e da performance acadêmica.

Como as cartas de recomendação são enviadas?

Na parte referente às cartas de recomendação dos processos de candidatura à universidade, você listará o nome do professor, título (professor adjunto, professor titular, coordenador de curso…), endereço (da universidade), telefone (da universidade), e email (prefira a conta .edu, já que provedores como gmail e yahoo permitem que qualquer pessoa crie uma conta, possibilitando fraudes).

Você será questionado quanto ao direito de ver sua carta – “Do you waive the right to see the letter of recommendation?”. Sempre responda sim. Por que? Porque mostrar a carta pra você deve ser uma decisão do professor, se ele achar que deve. Alguns optam por não mostrar porque querem evitar que alunos comparem suas cartas. Além disso, se você disser que não, a) seu professor vai saber, e pode achar que você tá desconfiando dele, além de poder se negar a enviar a carta; e b) a universidade pode desconfiar que o professor não foi completamente sincero porque você viu a carta. Mesmo que ele tenha te mostrado, diga que sim, você abre mão do direito de vê-la.

Seu professor receberá um e-mail pedindo para clicar num link único, responder algumas perguntas sobre você (múltipla escolha) e submeter a carta de recomendação (geralmente em pdf).

Quando ele envia a carta, você recebe uma notificação ou o status dela muda para enviada. Você pode e deve lembrar seu professor de enviá-la, mas não faça isso mais de uma vez por semana.

Como faço para pedir uma carta dessas?

  •  Faça uma lista dos professores que te conhecem bem, entendem inglês e preferencialmente são proeminentes na sua área. Coloque em ordem de preferência. Tenha alguns professores reserva em mente se algo der errado.
  •  Procure abordá-los pessoalmente, de forma respeitosa. Explique seus planos e como a ajuda deles é importante pra que deem certo. Se não puder fazer isso pessoalmente, ligue. Dependendo do nível de intimidade, vale usar Skype, Facebook, Whatsapp, Linkedin, Messenger. E-mail também vale, mas é mais impessoal e você corre um risco maior de ser ignorado.
  •  Pergunte se o professor pode escrever uma boa recomendação sobre você. Essa é a chance dele escapar se não se sentir confortável em tecer elogios a seu respeito. Melhor perguntar isso que acabar com uma carta ruim.
  •  Pergunte se ele se não tem problemas em escrever em inglês ou gostaria de ajuda para traduzir a carta. Se ele pedir ajuda, envie a tradução por e-mail e pergunte se ele deseja alterar algo e se a carta reflete realmente a opinião dele.
  •  Leve um currículo e instruções para escrever a carta impressos. Relembre seu professor de experiências que vocês tiveram juntos e que podem ser interessantes na carta de recomendação. Envie uma cópia disso posteriormente por e-mail.
  •  Pergunte quando o professor pode ter a carta pronta. Se ele não cumprir o prazo, mande um e-mail relembrando.
  •  Peça para o professor usar papel timbrado da universidade, carimbar e assinar se possível. Não é requerido, mas acrescenta um tom de formalidade à carta.
  •  Se você fizer o processo pela LASPAU, eles pedem as cartas aos professores e revisam pra saber se é uma carta favorável ou não. Eles avisam se a carta precisar de alterações.
  • Agradeça a ajuda deles no final do processo e, se possível, dê alguma lembrancinha acompanhada de um cartão. Conte pra eles depois em que universidades você foi aprovado.

Resumindo:

Peça cartas de recomendação para pessoas que gostam de você e estão dispostas a preencher formulários e enviá-la várias vezes por você. Não tenha vergonha de pedir: se eles chegaram onde estão, é porque alguém já fez isso por eles. Peça com antecedência, refresque a memória deles sobre a experiência de vocês juntos e tenha bastante calma. Vai dar tudo certo.

 

 

 

“O Prostituto de Universidades”: conheça a história de Marcelo Leitão e suas candidaturas a pós-graduação no exterior

Ele se inscreveu para dois mestrados, um doutorado e um mestrado profissional, em três países diferentes, em quatro universidades, de uma só vez. Ganhou o apelido peculiar de Prostituto de Universidades e quase foi acusado de vender a alma ao Diabo. Quer saber no que deu? Com vocês, Marcelo Leitão, o arquiteto cearense que gosta de viver fortes emoções!

Desde o começo da minha graduação eu já tinha uma certeza: “eu quero estudar fora!”… Mas como eu conseguiria isso? Essa era a grande pergunta! Um dia eu parei e percebi que conhecia várias pessoas bem mais capacitadas do que eu, com um currículo e desempenho exemplar, mas pela falta de um simples quesito, a proficiência em uma língua estrangeira, não tinham nem chances de ao menos de participar de um processo seletivo. Logo, desde o inicio da minha graduação eu busquei aprender o máximo possível, pois cada língua é um leque de oportunidades que se abre na sua vida!

Marcelo em Wisconsin, nos EUA, durante seu intercâmbio!
Marcelo em Wisconsin, nos EUA, durante seu intercâmbio!

Após finalizar a minha graduação e ainda com foco nesse objetivo, tomei uma decisão difícil e fui contra todos os “bons conselhos”: larguei tudo no Brasil e fui para o exterior em busca de proficiência em alguma língua. Um ano depois, Maio de 2013, retorno ao Brasil, mas com planos de aplicar apenas no ano seguinte (em 2014 para ir no ano de 2015). Senti que ainda não estava pronto, que precisava pesquisar mais sobre o assunto, ganhar experiência e outras coisas… Até receber a ligação de um professor da faculdade.

– “Marcelo, tudo bem? Faz dois meses que estou tentando falar com você e não consigo. Precisamos resolver a sua pós-graduação!” falou o meu professor.

Confesso que naquele momento eu me animei bastante!, Mas logo em seguida bateu o medo e o sentimento “não estou preparado”. Conversei mais um pouco com o meu professor e acabei seguindo o seu conselho:

– “Você já tem toda a documentação? Tente, pois na pior das hipóteses, você ganhará pelo menos a experiência.”

E assim eu o fiz. Quase nos 45 minutos do segundo tempo (Agosto/2013) eu resolvi tentar, e se era para tentar, que fosse para valer a pena. Apliquei para 4 bolsas de estudos e a partir daquele momento eu estava mais conhecido entre meus amigos como “prostituto de universidade”: a que pagasse, eu iria! As bolsas foram:

  • PhD nos Estados Unidos pelo Ciências sem Fronteiras Capes/Laspau
  • Mestrado em Arquitetura na Alemanha pelo DAAD
  • Mestrado na Inglaterra pelo Consulado Britânico (Bolsa Chevening)
  • Mestrado Profissional nos Estados Unidos pelo Ciências Sem Fronteiras Capes/IIE

Foi um processo longo e bem estressante. Administrar uma candidatura de bolsa de estudos é difícil, imagina quatro? Devo ter sofrido alguns pequenos infartos no processo, mas sobrevivi e agora é só felicidade! (ops, spoiler). Todos os processos foram simultâneos, mas para facilitar, o processo, contarei em tópicos individuais:

 

1. PhD nos Estados Unidos pelo Ciências sem Fronteiras Capes/Laspau

Esta bolsa era (o que eu achava ser) o meu sonho. Foi o processo mais longo, caro e estressante, mas certamente o que me deu experiência para obter sucesso nos outros. As principais dificuldades no inicio foram a falta de informação e o tempo curto para finalizar tudo. Eu tinha menos de 1 mês para juntar toda a papelada, traduzir documentos, escrever plano de estudos e descobrir o que era o GRE, mas graças a ajuda de alguns santos (dentre eles estão alguns dos integrantes da equipe Abroaders) eu consegui enviar tudo a tempo.

Algo que me desmotivou bastante no início do processo foi a pequena quantidade de universidades que eu poderia me candidatar. Essa restrição se deu basicamente por três motivos: o meu tema é bem específico e poucas universidades oferecem pós-graduação nessa área, Building Science, focando em Sustentabilidade e Eficiência Energética em Arquitetura; eu não possuo título de mestre e boa parte dessas universidades pedia mestrado para ingressar no doutorado; e a minha pontuação do TOEFL era de 92 pontos (22/24/22/24), e boa parte das universidades que ofertam pós na minha área pediam 100 pontos. Quando me deparei com todas essas questões, percebi que o sonho não seria tão fácil quanto eu imaginava, mas essa não era hora para desistir e eu precisava fechar meu submission plan.Nadar para morrer na praia não é o meu lema!

No final das contas, o meu submission plan acabou ficando com apenas três universidades. Eu queria ter aplicado para Berkeley e Virginia Tech, apenas! Mas como eu havia entendido que precisava tentar pelo menos três, acabei adicionando Texas A&M, mesmo não sendo bem na minha área.

Um dia, estou no trabalho e recebo um e-mail muito gentil de Berkeley avisando que, infelizmente, eles não poderiam me oferecer uma vaga, que eu não ficasse triste, que o problema não era eu, mas o alto nível da concorrência. Eu, por desencargo de consciência, entrei no site do GradCafe e fui conferir o nível da pessoa que tinha sido aceita. Ela apresentava pelo menos (estratosféricos) 90% em cada quesito do GRE… acho que realmente ela merecia! hahaha

Algumas semanas depois eu recebi a carta de concessão da bolsa! Foi um alívio muito grande, pois pelo curtíssimo tempo que tive para montar o plano de estudos, não achei que seria concedida. Isso me fez acreditar que talvez o sonho ainda fosse possível. Ainda naquela semana, recebi o “não” de Virginia Tech, algo já esperado, pois eles aceitam de 1 a 2 estudantes de PhD na minha área por ano.

E para finalizar, fui aceito na Texas A&M! Mas, em meio a toda essa supressa, só me restavam dúvidas: Estou preparado para um Doutorado direto da graduação? Texas A&M não tem foco na minha área, vale a pena? Onde eu fui arrumar esse sonho?

No final das contas, acabei negando a oferta e abri mão da bolsa de Doutorado direto. O PhD é uma coisa muito séria, que exige muita dedicação e não valeria a pena fazer “de qualquer jeito”. Foi uma decisão bem difícil, pois até aquele momento eu não tinha nenhuma garantia de outra bolsa ou aceite de universidade, mas era o mais certo a ser feito.

A grande lição de tudo isso foi que sim, é possível conseguir a tal “lenda do doutorado sem mestrado”, mas nem sempre isso será o melhor para você! E como conselho, mesmo sem ter certeza do que você quer, tente e depois que você tiver o aceite você decide.

 

2. Mestrado em Arquitetura na Alemanha pelo DAAD

Quando eu me candidatei a essa bolsa eu estava me achando, crente que ia conseguir! Tinha tudo para dar certo, pois ela era exclusiva para arquitetura, e muitas pessoas por acreditarem que precisa falar alemão, deixam de tentar, reduzindo ainda mais a concorrência. O processo foi bem simples e de fase única. Mandei um pacote de 3kg de papel pro DAAD no Rio de Janeiro, que seria reencaminhado para Colônia, na Alemanha.. depois disso era só sentar e esperar. Até que um dia recebi uma ligação da minha mãe:

– “Filho, chegou aqui uma carta de um tal de DAAD para você..”

– “Mãe, isso é a resposta da minha bolsa! O pior é que não adianta nem eu pedir para abrir, pois a senhora não entenderá nada…”

Momentos de tensão até eu chegar em casa e ler um educado “Nein, nein, nein!”

Moral da história: Sabe de nada, inocente!

PS.: Foram 341 candidatos do mundo todo e 37 selecionados.

Marcelo, na Alemanha. "Existem muitos muros a desconstruir", diz a frase no muro (segundo ele, é claro, eu não falo alemão! rs)
Marcelo, na Alemanha. “Existem muitos muros a desconstruir”, diz a frase no muro (segundo ele, é claro, eu não falo alemão! rs)


3. Mestrado na Inglaterra pelo Consulado Britânico (Bolsa Chevening)

Eu fiquei sabendo dessa bolsa de estudos bem em cima do deadline, algo como um pouco mais de uma semana antes, mas como o processo é todo on-line, bem simples e eu já tinha toda a documentação, por que não tentar? Estudar na Bartlet School – University College of London era um sonho e eu jamais pensei que teria essa oportunidade um dia. A bolsa é extremamente concorrida, algo como 28 mil candidaturas no mundo inteiro, aproximadamente 3 mil só no Brasil. Comparando com a bolsa da do DAAD, só um milagre para eu conseguir!

Novamente, tive uma surpresa, mas desta vez foi boa! O consulado britânico quase me matou do coração, pois enviou um e-mail 7hrs da manhã me parabenizando, mas apenas 30 minutos depois um outro e-mail pedindo para desconsiderar o e-mail anterior. Fiquei horas sem respostas e sem saber se aquilo era uma pegadinha… tentei contato com os responsáveis, mas me foi dito que eles estavam tendo dificuldades em gerenciar as informações, que eu deveria esperar e seguir pensando positivamente. No final de um longo dia, chega um terceiro e-mail convocando novamente para a entrevista! Neste momento, mesmo sabendo que nada era certo ainda, foi só alegria, pois um milagre tinha acontecido: destes quase 3 mil candidatos, aproximadamente 100 pessoas haviam sido selecionadas para a segunda e última fase… e eu era um deles!

Segui para a segunda fase, fui para uma entrevista em Recife, consegui o aceite da UCL e estou esperando a resposta final, que deverá sair no final de maio, começo de junho. Moral da história: A vida me deu uma lição muito grande, mostrando que nem sempre o que é seguro (a bolsa do DAAD) é certo, e nem sempre o que é “impossível” é inalcançável. E a única forma de descobrir isso é tentando.. por isso: TENTE!

Na próxima semana, o Marcelo disponibilizará para os integrantes do #teamAbroaders (vocês, rs) a sua Statement of Purpose e a Personal History, documentos que teve que redigir para as suas candidaturas! Teremos um post sobre SoP com vídeo e exemplos para baixar. Não percam!


4. Mestrado Profissional nos Estados Unidos pelo Ciências Sem Fronteiras Capes/IIE

Depois de todos os processos seletivos, este que eu julgava ser meu coringa, acabou sendo meu “Ás”! A bolsa de estudos foi ofertada nas últimas e claro, eu já tinha toda a documentação. Eu passava nos requisitos mínimos por pouco, mas passava! Fiz toda a burocracia e depois de alguns meses, lá estava meu nome na lista. Para ter um pouco de emoção, a lista foi revisada e algumas pessoas saíram dela, mas meu coração já estava acostumado e meu nome seguia na segunda lista. O que dificultou foi o atraso no processo e com isso, pouquíssimas universidades ainda estavam aceitando candidaturas.

Como um bom bom brasileiro e que não desiste nunca, escolhi três universidades que ainda estavam abertas e mandei e-mail chorando para Berkeley e VirginiaTech. Berkeley negou de cara, estava com o mestrado lotado. VirginiaTech disse que eu poderia pedir revisão, mas que aconselhava que eu aplicasse para outro centro, pois como eu já havia sido negado uma vez, facilmente eu seria negado uma segunda. Mas eu segui sendo brasileiro e insisti: “Não, eu desejo aplicar para o mesmo centro!”

Certo dia, estou no fazendo compras no mercado e recebo um e-mail da VirginiaTech oferecendo ajuda para alugar apartamentos. Naquele momento eu perguntei: “Tu tá de brincation with me né VT? Já não sabes o que sofri e me mandas este tipo de coisa!” Larguei tudo e voltei para casa correndo, entrei no site da faculdade e lá estava! VOCÊ FOI ACEITO PARA O PROGRAMA DE MESTRADO!

Agora estou no meio das burocracias de visto, aluguel de apartamento, busca de roommates etc.. mas isso não é nada frente ao resto do processo, pois o sentimento que tenho é só alegria! Pedi muito que a vida me desse a chance de realmente escolher para onde eu queria ir, e eis que me foi concedido! Estou indo muito feliz de ir para VT e já abri mão da UCL (a de Londres). Talvez alguem se pergunte, mas como assim? Pensei em tudo e no final das contas vi que a VT é melhor para mim, mesmo a UCL sendo uma das melhores na minha área.

Como fechamento, realmente os processos são bem cansativos. Muitas vezes acreditei que era mais uma prova de resistência do que qualquer outra coisa, mas o sentimento de realização é indescritível. O único conselho que eu posso dar é: tente e se surpreenda!

Em um próximo post, compartilharei com vocês a experiência pós aceite e um pouco da vida por lá! Obrigado! 😉

Curriculum Vitae (CV): Como prepará-lo para a pós no exterior

O CV (curriculum vitae) é um documento obrigatório e fundamental para qualquer aplicação para estudar em universidades do exterior, seja na graduação, mestrado ou doutorado. Ele traz uma visão geral das principais qualificações e experiências do candidato, tanto a nível profissional quanto acadêmico. É usado pelos avaliadores para fazer uma triagem inicial dos inscritos, a fim de decidir quais das milhares de candidaturas merecem uma análise mais detalhada.

Ah, mas eu já sei fazer currículo faz tempo, já mandei para inúmeras empresas e me rendeu boas entrevistas…

Cuidado! Mesmo que você já tenha bastante experiência com CV’s, é importante que você leia esse post por dois motivos principais:

  1. Estamos falando de um currículo acadêmico, e não profissional (o texto será direcionado mais para o PhD, mas vários pontos são aplicáveis a diferentes contextos). O foco é outro.
  2. O documento será enviado para uma instituição no exterior, que tem outra cultura de formatação e conteúdo. Aqui, nos basearemos no caso dos EUA, portanto lembrem-se de checar eventuais mudanças de requerimentos em outros países, mesmo que também sejam de língua oficial inglesa.

Que tal se eu pegar meu Currículo Lattes e jogar no Google Tradutor?

Pelamordedeus, não! Para quem não sabe: o currículo lattes é um CV acadêmico obtido por meio de uma plataforma online horrível que vive dando pau do CNPq, que depois gera um texto feioso no formato .rtf. Você realmente vai precisar disso para se candidatar à bolsa do Ciência sem Fronteiras , por exemplo (caso não tenha ainda, pode começar a ir preenchendo online), mas ele é bastante detalhado e complexo, e não é o mesmo arquivo que você vai utilizar nas aplicações específicas de cada universidade.

O mesmo vale para CV’s de sites como Catho, Vagas.com ou LinkedIN. Esses, além de geralmente terem foco mais profissional, contêm demasiadas informações que não são de interesse para o comitê universitário que irá avaliar sua candidatura. De qualquer forma, mesmo que você tenha de fato um currículo pequeno e sucinto feito no Word, não é interessante traduzi-lo (nem no Google Tradutor, nem por conta), mas sim escrever um novo, do zero, em inglês.

Comece do zero - e em inglês!
Comece do zero – e em inglês!

Nossa, como faz?

Inicialmente, lembre-se que o currículo é um resumo (tanto que um sinônimo em inglês é résumé – emprestado do francês), ou seja: você precisa ser o mais breve, claro e objetivo o possível. Tipicamente, o CV deve ter entre 2 e 4 páginas: mais que isso pode se tornar longo, chato e confuso – um prato cheio para encher o saco do avaliador e eliminar um candidato. Lembrem-se: aqui não é lugar para contar histórias, apresentar opiniões, sentimentos, críticas ou julgamentos (guarde essas coisas para o statement of purpose – em breve, no Abroaders).

Regras gerais de formatação: Utilize fontes básicas, como Times New Roman, Arial ou Calibri (nada de Comic Sans, hein? – e isso também vale pra vida!). Tamanho de 10 a 12 (eu costumo utilizar 12 para os títulos das seções e 11 para o texto) e espaçamento simples. Não empregue sublinhado, tachado e efeitos de texto como sombreamento e realce. Evite fontes coloridas e use negrito e itálico com parcimônia. Se quiser (e couber), pode pular uma linha entre cada item, para não ficar muito espremido. Em geral, não há nenhum padrão particular sobre margens. Algumas universidades podem ter requerimentos específicos de formato e número de páginas/caracteres/palavras (você pode fazer uma estimativa aqui), é importante sempre verificar direito.

Importante: nos EUA, o padrão oficial de página é o letter size (carta), que é ligeiramente menor que o A4 – você tem que lembrar de configurar a página corretamente no Word. Eles também costumam alinhar o texto à esquerda (e não justificado) e não dão recuo de parágrafo (tab), por mais estranho e feio que isso possa parecer. Outra diferença: o CV deve ter numeração de página (sem formato específico).

O currículo deve conter apenas texto; ou seja, sem figuras, gráficos, diagramas, tabelas, caixas de texto, linhas, auto-shapes, símbolos, etc. Nada de foto do candidato! E o arquivo não é uma carta, então não coloque data atual, saudações, despedidas ou assinaturas. O conteúdo será estruturado na forma de tópicos, divididos em seções que serão exploradas na sequência. Antes; algumas regras e observações gerais:

  • Liste cada informação relevante em um tópico, podendo utilizar marcadores (como esses “bullet points” que estou empregando agora), em ordem cronológica reversa dentro de cada seção. Sempre que aplicável, inclua local e data (mês e ano de início e término). Caso seja algo em curso, sinalize – exemplo: “March 2013 – present“.
  • Para descrever suas atribuições e atividades, use apenas fragmentos de frases no lugar de orações completas, empregando “action verbs no passado simples, tais como: achieved, produced, taught, participated, coordinated, performed, managed, reviewed, conducted, presented, employed, planned, created, developed, searched, studied, analyzed, projected, designed, built, entre outros. Se for algo atual, use o tempo presente.
  • Não utilize pronomes, sobretudo os pessoais, como Iyou. Evite também contrações, como can’t it’s.
  • Quando colocar uma sigla ou abreviação que não seja de uso comum, explique o seu significado. Exemplo: LASPAU (Academic and Professional Programs for the Americas – que aliás não tem mais nada a ver com a sigla, mas tudo bem).
  • Não traduza nomes de universidades, empresas e cidades! Exemplo: “Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)”, e não “State University of Campinas” (sim, é para deixar em português mesmo!).
  • Em geral, as aplicações online vão requerer os arquivos nos formatos .doc, .docx ou .pdf. Algumas, entretanto, podem pedir para que você copie e cole (ou escreva) o texto direto num campo específico de formulário. Nesses casos, é interessante evitar caracteres que não existem na língua inglesa (como à, ê, í, õ, ü, ç), que podem desconfigurar.

Antes das seções propriamente ditas, você pode listar alguns dados pessoais logo abaixo do seu nome, tais como nacionalidade, telefone (lembre-se de incluir o código internacional do Brasil: +55) e e-mail. Não há necessidade de incluir endereço (mesmo que tenha um no exterior). Não ponha no seu CV informações como idade, profissão, gênero, data de nascimento e estado civil, pois isso aqui não é ficha para participar do Big Brother você terá campos específicos para preencher esses dados nos formulários das aplicações online. Também não se deve colocar números de documentos como passaporte, RG, CPF e conselhos de ordem profissional (CREA, OAB, CRM, etc). Evite fornecer seu perfil em redes sociais porque você não vai querer seu orientador fuçando no seu facebook, a não ser que isso seja relevante para a sua profissão (como para quem trabalha com marketing, por exemplo). Pode-se incluir, entretanto, blogs e outras publicações eletrônicas relacionadas ao tema da pós-graduação.

O currículo não terá uma categoria de “Objetivos” – já que aqui ele é apenas um e óbvio: cursar um PhD na universidade de escolha. Seguem as principais seções que devem ser contempladas, nesta ordem (perceba o foco acadêmico):

  • Educational Experience: liste, do mais recente (ou atual) ao mais antigo, cada título e grau relevante obtido, indicando nome da universidade, local e data. Não inclua ensino médio e fundamental e jardim de infância (a não ser ensino técnico relacionado à área pretendida). Inclua cursos em andamento, mas não cursos incompletos (desistências). Lembrem-se que cada título aqui listado terá que ser comprovado futuramente por apresentação de diploma (ou certificado de conclusão) e histórico escolar. Você pode incluir o título de sua tese, dissertação, monografia ou TCC (em inglês!). Não é obrigatório, para alunos estrangeiros, indicar notas (nem mesmo o GPA), mas podem-se inserir prêmios e reconhecimentos por bom desempenho escolar.

Nota sobre alguns termos: graduation é o baile de formatura! O que nós chamamos de graduação é undergraduate degree em inglês. Graduate degree seria a nossa pós-graduação (e postgraduate, algo como o pós-doutorado). O melhor é indicar o nome do título mesmo, como bachelor, licenciate, master, specialist, etc. Entenda melhor a terminologia neste post.

  • Additional Coursework: liste, de forma análoga ao anterior, cursos extras (que não conferem título ou grau, como cursos livres, extensões, seminários, etc.) relevantes para a área pretendida.
  • Scholarships and Awards: indique bolsas e prêmios (seja em dinheiro, brindes ou simbólicos) recebidos ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional, desde que tenham relevância, explicitando o nome da bolsa, a instituição concedente e o motivo. Pode-se incluir auxílios e financiamentos a projetos de pesquisa (como iniciações científicas), patrocínios de empresas, programas de monitoria, competições e concursos, intercâmbios, reconhecimentos diversos, show do milhão, entre outros.

Atenção: apenas insira sua bolsa do Ciência sem Fronteiras se a mesma já estiver sido concedida! Mas caso você tenha sido pré-selecionado por alguma instituição parceira (como a LASPAU), você pode incluir isso no currículo.

  • Professional Experience: liste, do mais recente (ou atual) ao mais antigo, cada emprego ocupado na área pretendida, indicando nome e localidade da empresa, datas de início e fim, título e uma breve descrição do cargo ocupado (principais responsabilidades e atividades desenvolvidas – lembre-se de utilizar frases curtas, sem pronomes e com action verbs). Inclua – caso aplicável – estágios (remunerados ou não), negócios próprios e atuações como autônomo e freelancer.
  • Research Experience / Teaching Experience: liste, de maneira semelhante, cada experiência relevante obtida em atividades de pesquisa e/ou ensino, indicando o nome dos projetos. Você pode fazer duas seções separadas ou apenas uma, ou ainda incluir essas informações dentro da própria experiência profissional, para evitar a repetição. Lembre-se que aqui o foco é nas atividades desenvolvidas, e não nas eventuais bolsas, que devem vir em separado na seção específica indicada anteriormente.
  • Publications: liste as publicações relevantes feitas em periódicos ou congressos, nas quais você é o autor (ou um dos autores principais). O título da publicação deve vir em inglês, podendo ser apresentado também no idioma original entre parênteses. Entretanto, os nomes do periódico e da instituição devem vir em português mesmo e, se possível, acompanhado do número do volume e das páginas. Inclua nessa seção não apenas artigos, resenhas e matérias, mas também manifestos, capítulos de livros, pôsteres apresentados em congressos e simpósios, produções artísticas e culturais, aquela escultura de argila que você fez para o dia das mães em 1994, etc.
  • Skills: liste outras habilidades e técnicas importantes, tais como idiomas (sim, português inclusive) e informática, indicando grau de proficiência. Pode incluir linguagens de programação e softwares como os do Microsoft Office; ferramentas de desenho; sistemas de organização e gestão empresarial; softwares de produção, tratamento e edição de imagens, vídeos e sons etc. Evite coisas muito básicas e vagas, como “windows e internet”. E nada de escrever coisas como: “proatividade, espírito de líder, criativo, trabalha bem em equipe” etc.

“Nossa, mas eu não tenho publicação, não tenho experiência acadêmica, não tenho nenhuma habilidade nada disso!” Calma, não se aflija: as universidades entendem que muitos dos candidatos são recém-saídos da graduação e não tiveram tempo para já apresentarem um CV excepcional. Na verdade, a única seção realmente obrigatória dessas acima é a primeira (já que você precisa ter no mínimo um curso superior para se inscrever). A missão de convencer que eles devem te admitir mesmo assim vai ficar para o SoP, que será tema de um post na próxima semana. Enquanto isso, para encher linguiça e atingir pelo menos duas páginas de currículo, você pode adicionar outras seções opcionais:

  • Professional Affiliations / Community Organizations / Volunteer Activities / Events: você pode incluir no seu currículo qualquer outra experiência relevante, principalmente aquelas que demonstram habilidades como liderança (em vez de simplesmente citar que tem isso na seção skills). Isso inclui participação de grupos acadêmicos como empresa júnior, grêmio estudantil, centro acadêmico, associação atlética, grupos de estudos, representação discente, AIESEC e outros. Também pode inserir trabalhos voluntários (de cunho social ou não), organização de eventos universitários, participação em intercâmbios, ONG’s e outras organizações comunitárias. Só cuidado para se ater a experiências que realmente agreguem algo em seu CV e não ficar listando centenas de atividades só para dar “mais corpo” ao arquivo.

Parece difícil hein? Não tem uns prontos aí para dar uma luz?

Mas é claro, jovem! Já pensamos nisso. Veja aqui alguns exemplos de currículos bem-sucedidos para lhe inspirar e ajudar a elaborar o seu próprio. Abroaders é amor.

Por fim, uma última dica: assim que terminar, passe um corretor ortográfico, leia de novo algumas vezes e peça para algum falante nativo dar uma lida – não só para corrigir a gramática, mas também o estilo, para tentar deixar o texto o mais natural possível. Tome muito cuidado com o Google Tradutor, prefira alguns sites que traduzem expressões em contextos específicos, como o Linguee. Em caso de dúvida sobre algum termo específico da área, melhor consultar um especialista.

 

 

Pedro Menchik é colaborador do Abroaders e escreve regularmente no seu próprio blog Alimentando a Discussão, onde trata sobre polêmicas e curiosidades envolvendo os alimentos. 

O bendito (ou maldito) GPA: necessário para estudar fora

Se você caiu de paraquedas nesse artigo, PARABÉNS, acredito que seja um candidato a estudar fora do Brasil e esteja procurando informações relevantes sobre o assunto. Em meio a tantas (des)informações sobre os processos de candidatura e inscrição nos cursos superiores no exterior, nos deparamos com uma sigla sempre muito comum: GPA. Mas o que diabos é isso?

GPA é a sigla para GRADE POINT AVERAGE, que nada mais é do que as suas notas colocadas em uma escala diferente daquela existente no seu país. Basicamente, é usada nos EUA para medir o seu desempenho nos estudos. Por ser um padrão amplamente utilizado por lá, o GPA serve para comparar o desempenho dos alunos em uma mesma escala (como as nossas notas aqui no Brasil). Mas então, qual é a diferença? Por que não posso usar a nossa escala de 0-10 ou 0-100? Bem, colega, pela mesma maneira que eles usam ºF, jardas, pés, milhas … WHO KNOWS ?

Porque EU QUERO e pronto!

Mas nada é tão difícil quanto parece.

Em um curso universitário, cada matéria possui um certo número de “unidades” ou “créditos”. No ensino médio, a maioria das matérias possui o mesmo número de créditos, mas isso não acontece na universidade. A maioria das matérias universitárias têm uma carga de três unidades (cerca de três horas de palestra e seis horas de lição de casa por semana para cada semestre), mas o número pode variar de frações de 1 a mais de 5 unidades. O GPA assume uma escala de notas igual à A, B , C, D, F. A cada grau é atribuído um número de pontos, um A recebe 4 pontos, um B = 3,  C = 2, D = 1, e um F = 0 (Isso em um GPA baseado em escala 4.0). O processo é o mesmo se você estiver trabalhando em graus secundários ou universitários.

O GPA possui escalas que podem ser de 4.0 ou 5.0 (as mais comuns em candidaturas para pós-graduação e graduação no exterior). No entanto, algumas Universidades ou Escolas Secundárias também podem utilizar o GPA em uma escala diferente dessas duas, uma escala 9.0; 4.3 ou 4.5, por exemplo.

O Grade Point Average de um estudante, portanto, é um cálculo matemático que indica onde a média das notas se encontra na escala norte-americana. E ele pode ser encontrado em 2 formas:

  1. term GPA (TERM GPA): Que é a média das suas notas em somente um semestre, e
  2. cumulative GPA (CUM GPA): Que é a média das suas notas ao longo do seu curso.

Ele é basicamente calculado da seguinte forma:

GPA = Σ (grade value × unit credit points)

__________________________

Σ unit credit points
  • multiplicar cada nota pelos pontos da unidade de crédito
  • somar os valores resultantes (pontuação ponderada do GPA)
  • somar os pontos da unidade de crédito
  • dividir a soma da pontuação ponderada do GPA  pela soma dos pontos da unidade de crédito
  • calcular três casas decimais.
WTF...
WTF…

Ficou confuso? Veja essa tabelinha:

GPA

Nesse exemplo o seu GPA seria, 73/15 = 4.87 GPA

Note que neste exemplo o seu GPA seria em escala 9.0, uma vez que as notas atribuídas a cada letra variam entre 0-9

MAS CALMA AI MEU AMIGO, LARGA ESSA CALCULADORA!

Antes que você comece a suar pensando no seu histórico com mais de 50 matérias e no trabalho do cão que daria para calcular isso tudo, fique atento:

Se o seu sistema de classificação é A-F, com uma escala de 4 pontos, você pode ser capaz de calcular a sua média das notas. No entanto, a maioria dos sistemas (excluindo os EUA) não usam essa escala. Até mesmo alguns sistemas que fazem uso de uma escala semelhante têm significados diferentes para as classes (por exemplo, nos EUA, notas “A” não são raras, mas em há outros sistemas em que elas quase nunca são dadas), assim, o GPA não é representativo da mesma coisa que é neste país (EUA). É por essa razão que as faculdades americanas geralmente têm pessoas especialmente treinadas na avaliação de credenciais de outros países.

Mas no meu formulário pede para eu preencher com um GPA!

Você pode colocar GPA = 0.0 ou então calcular de maneira não oficial, mas saiba que assim que o seu histórico chegar na Universidade eles irão conferir suas notas e refazer esse cálculo.

No meu histórico tem matérias que eu desisti e não fiz as provas finais… como ficam essas notas?

Ficam iguais à ZERO (sorry), e você deve incluir no cálculo do GPA multiplicando pelos créditos respectivos.

Eu fiz uma matéria mais de uma vez, e agora?

Por quaisquer motivos que tenham levado você a refazer uma matéria, você só usará a sua maior nota (dessa matéria) no cálculo do CUM GPA. *

Não está aguentando de ansiedade para saber o seu GPA? O Abroaders resolveu te ajudar e facilitar a sua vida, mas lembre-se, esse cálculo é NÃO OFICIAL.

Então, jovem, prepare-se… grude no F5 que na próxima semana nós vamos disponibilizar uma CALCULADORA DE GPA que nossa equipe está preparando para você!

Estudar fora nunca foi tão fácil, se liga nas dicas e aproveite!

 


 

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Enviando documentos: diplomas, transcripts, traduções juramentadas e o tal do coversheet form

O MINISTÉRIO DO BOM SENSO ADVERTE: as dicas a seguir foram escritas com base no processo de doutorado pleno pelo Ciência sem Fronteiras, para os Estados Unidos da América, por intermédio da LASPAU. Porém todas elas podem servir para outros candidatos a outros processos e, naturalmente, com outros destinos.

[Um post de Livia Palmerston e Nanda Cruz Rios]

Seja você candidato a uma pós-graduação pelo Ciência sem Fronteiras ou não, certamente chegará o momento de enviar seus documentos para os órgãos competentes. No caso de quem vai para os EUA pelo CsF, por exemplo, este órgão é a LASPAU. Caso você vá para a Austrália, o Latino Australia Education; no caso da Holanda, o órgão parceiro é o NUFFIC, e assim por diante. Cada processo tem suas regras e prazos específicos, mas via de regra todos nós teremos que enviar nossos documentos – seja para os órgãos, seja para as universidades (no caso de uma candidatura independente).

Dentre os documentos obrigatórios solicitados para envio normalmente estão o diploma de graduação e mestrado, o histórico escolar de todas a disciplinas cursadas em cada graduação e suas respectivas traduções juramentadas. E por favor, não me vá enviar seus diplomas e históricos originais. São solicitadas cópias certificadas desses documentos. Então, vamos por partes.

Diploma

Caso você ainda não tenha concluído a graduação ou o mestrado, você pode solicitar na universidade, provavelmente na coordenação do curso, um termo que declara que você está cursando as disciplinas e irá concluir o curso no período X, sendo que este período, obviamente, deve ser prévio ao início do mestrado/doutorado. Se já estiver formado e possuir os diplomas originais, daí você deve utilizá-los. Fique atento ao número de cópias exigidas para cada documento. Se, por exemplo, o órgão parceiro ou a universidade solicita duas cópias de cada documento, cuide para que você envie ambas as cópias certificadas¹.

De novo: nada de enviar os seus diplomas originais, jovem. E se já tiver feito isso não conte a ninguém, a não ser que queira virar motivo de piada entre alguns coleguinhas menos solidários, que acompanharão seu desespero comendo pipoca (eu faria isso, não vou mentir).

Histórico escolares ou transcripts (é a mesma coisa, só para constar)

No caso da não conclusão do curso na época do envio, deve ser feito praticamente o mesmo procedimento dos diplomas. Você solicita o histórico incompleto e novamente faz as cópias e certifica uma por uma¹ (já vamos falar sobre isso). Se já concluiu o curso, deve ter o histórico em mãos (se não tiver, peça na universidade), então é só seguir as mesmas orientações.

Mas o que é esta certificação, afinal?

¹ É um processo bastante simples para quem tem fácil acesso à Universidade que emitiu o diploma. Por que isso? Porque basta se dirigir à secretaria ou coordenação da Universidade com os documentos (diploma e histórico – originais e cópias) em mãos e solicitar ao funcionário responsável que carimbe e assine atestando a “conferência com o original”. Normalmente isso pode ser feito em poucos minutos, dependendo da boa vontade dos envolvidos.

Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?
Poxa vida, minha Universidade fica em outro estado. Posso enviar uma cópia autenticada em cartório desses documentos?

Bem… não. Infelizmente, não pode. A autenticação no cartório não vale para universidades. Parece estranho, mas uma assinatura de um funcionário da universidade atestando que a cópia confere com o original conta mais que autenticação em cartório. Na verdade, só ela é válida (sabe-se lá por que razão, mas não estamos aqui para contestar o sistema). Então, se você mora em uma cidade ou estado diferente de onde se formou, temos uma má notícia: você terá que viajar para certificar suas cópias. Ou pedir a alguém, ligar, chorar, dar um jeito: o fato é que a Universidade tem que carimbar o diabo das cópias, e ela tem que fazer isto olhando para os documentos originais.

Traduções juramentadas

Uma tradução juramentada é uma tradução pública, feita pelo chamado tradutor juramentado. Ele é um intérprete comercial habilitado em um ou mais idiomas estrangeiros e português, nomeado e matriculado na junta comercial do seu estado². Somente a tradução juramentada é reconhecida oficialmente pelas universidades nos EUA – e provavelmente nos outros países também, cheque direito os documentos necessários junto às universidades e/ou órgãos parceiros que estão intermediando sua candidatura.

² A junta comercial do seu estado vai lhe fornecer os nomes, endereços e telefones dos tradutores juramentados disponíveis. Dê um Google em “junta comercial nome-do-estado” e procure a aba/link “tradutores”. O preço é tabelado.

A tradução juramentada é necessária e já adianto que vai doer no bolsoAlém de ser onerosa, em alguns casos de órgãos parceiros como a LASPAU, a tradução original deve ser enviada por correio. Logo, se você estiver se candidatando de modo independente para outros países e outras universidades, terá que enviar mais de um documento original de tradução, o que significa gastar o dobro, o triplo, o quádruplo… etc, dependendo de para quantos lugares terá que enviar. Você já deve ter percebido que a vantagem de um órgão parceiro intermediar sua candidatura é que, dependendo das regras do jogo, você só precisa enviar uma tradução original e eles se encarregarão de realizar as cópias certificadas por eles próprios e distribuir entre as X universidades para as quais você está se candidatando.

“Ah, mas eu não posso pedir pra um amigo traduzir e levar na universidade pra eles conferirem e certificarem?”

Não.

“Posso pedir para o tradutor da Universidade traduzir e certificar?”

Não.

Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?
Ah, dane-se! Eu mesmo vou traduzir e vou dar um jeito de certificarem! Posso fazer isso, não posso?

Não, você não pode. Nem você, nem seu amigo, nem seu professor de inglês, nem o tradutor da sua Universidade, nem mesmo o papa pode. A não ser que a própria universidade emita o documento oficial já em inglês, nenhuma certificação é válida.

NO ENTANTO, SABE QUEM PODE? A EDUCATION USA!

Gente, ó, dica de mestre, viu. O EducationUSA faz o serviço de traduções por e-mail! Isso é especialmente útil para aqueles que moram em cidades onde não tem tradutores juramentados disponíveis (sim, corre este risco). Se você mora em Jericoatinga do Caboaté, por exemplo, não terá que ir até a capital do seu estado (que neste caso, é fictício, hahaha) numa verdadeira saga em busca do tradutor perdido. Cliquem neste link e vejam como funciona!

Outros documentos e certificados

Se você possuir alguma outra especialização que irá contribuir no seu processo seletivo, os documentos referentes a esse curso também poderão ser enviados seguindo as mesmas instruções quanto às cópias, certificações e traduções juramentadas. Vale ressaltar que só será válido curso ou especialização que tiver lhe conferido um diploma, de preferência com notas. Mini-cursos, escolas, workshops, etc, que geralmente fornecem um certificado de participação, não são relevantes neste caso. No entanto, eles podem constar no seu currículo.

Opções de envio dos documentos

Finalmente, para o envio, você terá algumas opções, que irão variar no preço e na disponibilidade do serviço prestado na sua região. Gente, vejam bem, percebam que estamos falando do envio dos documentos físicos. Esqueçam envio digital neste caso (claro que você vai mandar por meio digital ou físico aquilo que lhe for instruído; neste tópico, porém, vamos tratar do envio físico, que é o que gera dúvidas).

É sugerido pela LASPAU, por exemplo, que o envio seja realizado por FedEx, UPS ou EMS, por se tratar de companhias confiáveis e disponibilizar o rastreamento da mercadoria. A FedEx tem até um sistema de agendamento, onde eles passam na sua casa para retirada da mercadoria, caso não haja um posto em sua cidade. Sedex Mundi e DHL, entretanto, também podem ser utilizados para o envio com resultados confiáveis, a escolha é sua.

Só faça este envio com antecedência para garantir que a documentação vai chegar em tempo hábil nos EUA. Uma dica para economizar é juntar dois ou mais candidatos, marcarem uma data quando todos estiverem com a documentação completa em mãos e colocarem seus envelopes juntos na caixa de envio. Fica mais em conta e vocês podem ainda marcar um happy hour depois!

… e o que é o coversheet form?

Ahh, o famoso coversheet form é na verdade uma piada interna dos candidatos ao doutorado para os EUA pelo Ciência sem Fronteiras / LASPAU. O que aconteceu foi que a LASPAU inventou de colocar entre os documentos solicitados um tal de “coversheet form”. Pronto, instaurou-se o pânico generalizado. Que diabos era isso?? Por meses, esta pergunta aparecia nas redes sociais, até muito tempo depois de já ter sido respondida pelo menos 397 vezes. Bom, coversheet form nada mais é que um check list que você anexa como capa de toda documentação que é enviada pelo correio para o escritório da LASPAU. Esse check list é fornecido pela própria instituição e você o imprime e marca ali os documentos que estão no envelope. Ou seja: era APENAS uma folha de papel com uma lista de documentos e quadradinhos para pintar de acordo com o que você estivesse enviando. Com certeza, todo processo tem coversheet form da vida, que vai virar piada passado o desespero…

 

DOIS ERROS para você evitar ao se candidatar a uma pós no exterior: um depoimento de Luiza Cruz

Hoje temos uma inspiração para vocês!

O nome dela é Luiza Cruz, ela é mineira, formada em Farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e está a caminho do seu doutorado em Química na Imperial College London. Mas para chegar lá, teve que driblar algumas pedras no caminho…

A hora da candidatura vai chegando e você fica igual a siri na lata, perguntando:

“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”
“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”

Well, jovem, tenho uma boa e uma má notícia pra vocês, mas vou dar a má primeiro (como sempre):

SIM, TEM GENTE QUE NÃO É ACEITO POR NENHUMA DAS UNIVERSIDADES.

Mesmo tendo milhares de experiências acadêmicas, estágios, o diabo a quatro.

Oh, céus, mas POR QUÊ???
Oh, céus, mas POR QUÊ???

Porque eles não conheciam os Abroaders  cometeram alguns erros muito comuns, que parecem bestas mas são desastrosos. Pode dar a boa notícia agora?

Temos aqui uma candidata que TENTOU DE NOVO, PASSOU, e veio dar as dicas de como NÃO repetir esta experiência – a não ser que você curta fortes emoções, viver perigosamente, e tal… daí você pode ser nosso próximo exemplo de superação, mas garanto que prefere seguir as dicas da Luiza e ser feliz logo de primeira. Então, com vocês, Luiza Cruz!

“Quando eu comecei o meu primeiro processo para realizar o doutorado no exterior pelo Ciência sem Fronteiras, em agosto de 2012, nunca achei que somente dois anos depois finalmente conseguiria. Estava realizando o estágio final da faculdade em uma indústria, já havia feito um estágio em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) em um instituto na Suíça, participado por três anos de projetos de iniciação científica e ganhado prêmio de destaque acadêmico na minha turma de graduação. Hoje, posso ver claramente meus dois maiores erros naquela primeira vez: escolha do orientador/programa e a elaboração da SoP (Statement of Purpose).

Pode parecer meio óbvio, mas na pós-graduação você tem um grau maior de interdisciplinaridade e por isso mais opções de programas e orientadores. Em 2012, eu não sabia como era o processo para ser admitida e acabei fazendo escolhas erradas. Não pesquisei direito e nem mantive contato com os professores, ou seja, o caminho certo… se você deseja fracassar. E foi depois de um fracasso total no primeiro ano que decidi tentar de novo.

Pensei: o que eu quero fazer depois do doutorado?

A resposta estava na ponta da língua e então comecei a listar o que eu precisava e quais programas e orientadores poderiam me ajudar a chegar lá.  Mudei de área e mantive contato com vários potenciais orientadores (acabei nem me candidatando para todas as universidades). Para ter certeza do research fit, ou seja, se os meus planos de pesquisa se encaixavam com os interesses dos orientadores, fiquei de olho nas publicações mais recentes dos grupos de pesquisa (em quais periódicos, com qual freqüência publicavam e as colaborações mais importantes). Depois de muita pesquisa, eu fechei minha lista com a certeza de que em qualquer um dos grupos eu seria bem-vinda e de que a pesquisa tinha tudo a ver comigo.

Segundo e mais importante, SoP. Hoje eu sei que meu primeiro SoP foi digno de dó. Parecia mais uma versão em texto do meu currículo. Na minha segunda tentativa, eu tirei tudo que já estava no meu currículo e foquei no que era realmente importante:

Por que eu, e não outra pessoa, tinha que ser escolhida?

Mostrei por A + B (com citação e tudo!) que não só eles eram a minha escolha lógica como também eu era a deles. Na média, cinco parágrafos e uma página e meia foram suficientes para mim. Antes de submeter, eu pedi a uma amiga inglesa, ao meu ex-mentor que é doutor na minha área e que tem o emprego dos meus sonhos e a minha irmã para avaliarem meu texto. No total, fiquei quase 5 meses trabalhando no meu texto. E se eu o ler hoje, com certeza ainda mudaria muitas coisas. Por isso, gaste o máximo de tempo e esforço que der nele, vai valer a pena.  

Assim que percebi o fracasso iminente de 2013, decidi que iria fazer de tudo para levar a minha candidatura a outro nível. Pensei nas coisas que poderiam ser melhoradas. GPA da graduação? Já era. Refazer os testes? Muito trabalhoso, mas possível. Refiz o GRE e melhorei minha nota (não acredito que o GRE seja o fator decisivo em uma application, mas também não atrapalha e, se você tem o tempo e o dinheiro, por que não?).

Agora o ponto mais crítico e talvez mais trabalhoso. Eu sabia que não podia ficar simplesmente um ano parada (academicamente falando) e seria muito bom ter mais experiência em pesquisa na área. Solução? Mestrado. Não pelo título em si, mas pela experiência em pesquisa, que nunca é demais. Também me ajudou o fato do mestrado ser na nova área escolhida e, portanto mostrou aos avaliadores que mesmo sendo de outra área eu poderia dar certo no programa deles.

Mas mesmo sendo cuidadosa, ainda cometi alguns erros. Uma das muitas exigências dos programas de pós-graduação nos EUA é o GRE Subject [nota dos Abroaders: em nosso material sobre o GRE, falaremos sobre isso]. Entre os top 20 programas da minha área, somente um ou dois não exigem o teste. E se você quer ir para as melhores universidades (quem não quer?), se prepare para enfrentar forte concorrência aqui. Na minha área, é bastante comum ver norte-americanos com 60, 70% sendo aprovados nos melhores programas, sendo que para estudantes internacionais a média fica acima de 90%. Além disso, o teste pode ser oferecido até três vezes por ano, mas no Brasil geralmente apenas duas datas são disponibilizadas. Ou seja, não deu tempo de estudar e quando fui ver já não havia mais data disponível e acabei não fazendo o teste.  Ainda dá tempo de checar esses requerimentos e não bobear que nem eu (geralmente, as provas são em abril, setembro e novembro).

Enfim, depois de dois anos de muita correria, finalmente colhi os frutos. Fui aceita em 3 de 4 das minhas universidades (na quarta fiquei na lista de espera), fui chamada de top candidate em uma, chorei para escolher outra, mas… so far no regrets.

Em outubro vou começar meu doutorado para fazer exatamente o que eu sempre quis fazer e com a certeza de que foi a melhor escolha.”

Lindo, não? Aposto que ficou com os olhos marejados aí. Pois respire, volte à vida real e releia o texto com cuidado, porque a Luiza deu dicas muito importantes aqui! Muitas delas você verá novamente em breve, em nosso material sobre SoP que estamos preparando com cuidado.  Ah! Se quiser saber mais sobre como encontrar seus orientadores e universidades, clique aqui.

Abraço dos Abroaders!

Inglês sem Fronteiras: uma oportunidade a aproveitar!

Olá, jovem que está cursando a graduação ou pós-graduação (stricto sensu) e quer fazer uma parte do curso no exterior, mas está ainda no the book is on the table. Que fase! Mas não se desespere: o post de hoje é para você.

Sim, você!! Você que  estava passeando pelo Abroaders, fuçando informações sobre pós graduação no exterior… já descobriu que não precisa de mestrado para doutorado, já escolheu que tipo de pós graduação vai fazer, já sabe de cor as 10 coisas que não pode deixar de saber sobre o Ciência sem Fronteiras e se empolgou com a entrevista da Gisele Ribeiro. Também quero!, você pensou. Até começou a pesquisar universidades e orientadores, quando de repente se lembrou de um pequeno detalhe: os exames de proficiência na língua inglesa…

IsF

…e seu inglês está mais enferrujado que a última taça que o Vasco ganhou.

Pois seus problemas acabaram! Os Abroaders conseguiram que uma amiga escrevesse por livre e espontânea pressão um pouco mais sobre o Inglês sem Fronteiras, esse programa que você nem sabia que existia e que pode te livrar de ser deportado de volta ao Brasil pela falta de proficiência no inglês.

O texto foi escrito pela Elisa Bellone, essa graça de pessoa que, além de ser aluna do curso de Letras (Português-Inglês) da UFVJM em Diamantina, também é professora do Inglês sem Fronteiras. Quer saber o que ela tem pra te contar? Acompanhe:

“No mundo contemporâneo, após a globalização, é exigido o conhecimento e domínio de outro idioma. Pensando nisso, para ajudar estudantes universitários de todo o país a aperfeiçoarem seu conhecimento da língua inglesa e adquirirem proficiência na língua, o governo criou o Programa Inglês sem Fronteiras (IsF), que visa proporcionar oportunidades de acesso às universidades de países anglófonos através do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) à todos aqueles interessados em participar do processo de seleção. São ofertados periodicamente cursos à distância, presenciais e aplicações de testes de proficiência.

O primeiro passo para ter direito de participar do IsF é ser aluno de graduação ou pós-graduação strictu sensu de instituições de ensino superior públicas ou privadas. O segundo é o aluno estar necessariamente ativo no curso de inglês oferecido a distância, o My English Online (MEO). Alunos de graduação de instituições de ensino superior privadas podem participar do MEO desde que tenham obtido nota igual ou superior a 600 no ENEM e alunos de pós-graduação desde que tenham seus programas credenciados pela CAPES.

Para concorrerem a vaga nos cursos presenciais de inglês oferecidos pelo Núcleo de Línguas de sua instituição, é necessário que o interessado esteja cursando no mínimo o nível 2 do My English Online e terá prioridade se for estudante de algum dos cursos prioritários para o Ciência sem Fronteiras. Os cursos presenciais são intensivos de 4 horas semanais com sua duração podendo variar entre 16, 32, 48 e 64 horas de acordo com o objetivo a ser atingido pela universidade. Seu período de inscrição é divulgado pela própria instituição à comunidade universitária por meio de seus sistemas internos.

Quanto aos testes de proficiência, alunos que se candidatem ao Programa Ciência sem Fronteiras ou outros programas da CAPES/CNPq que incluam o TOEFL ITP em seus editais terão o direito de realizá-lo sem custo (a data de aplicação desses testes também é divulgada pela instituição e pode ter o perfil de nivelamento ou de proficiência de acordo com o edital do CsF).

Observem que o TOEFL ITP é somente para candidatos à graduação sanduíche! Candidatos a alguma pós devem fazer o TOEFL IBT. Você pode saber mais sobre este último baixando o nosso e-book sobre exames.

Os interessados em se cadastrar no My English Online devem acessar este site e preencher seus dados. Para mais informações acessem o site do Programa Inglês sem Fronteiras, lá vocês encontrarão o edital do programa com todas as informações necessárias de como participar.

Aproveitem a oportunidade!”

PhD nos EUA: Existe vida durante o doutorado?

Hello, Gafanhotos!

Hoje temos um post especial. Nós, os Abroaders, estamos working hard para tirar suas dúvidas sobre as candidaturas para uma pós no exterior, MAS ainda não estamos lá! E, afinal, eu quero, tu queres, todos querem saber como é de fato estar lá estudando, fazendo o que você tanto está ralando para fazer. E se não for nada disso que estamos esperando?? :O [pensando bem, fale a verdade, você nem sabe direito o que esperar, não é mesmo?]

Pensando nisso,  entrevistamos a Gisele Ribeiro, PhD student de Geotechnical Engineering da Columbia University (NY). Isso mesmo, muito loosho. A Gisele é conhecida pela sua prestatividade  nos grupos do Facebook destinados ao edital de 2013 do Ciência Sem Fronteiras. Suas dicas inspiraram os Abroaders a fazer o mesmo nos grupos do ano seguinte, e finalmente a fazer este site! Ela esteve no seu lugar, no nosso lugar, e agora está vivendo o que por enquanto só está nos nossos sonhos [diários, eu garanto]. Vamos à entrevista??

Gisele e seu marido, no campus da Columbia University (NY). Ela merece!
Gisele e seu marido, no campus da Columbia University (NY). Ela merece!

A: Como você estruturou o seu Statement of Purpose (SoP) e quais dicas você daria àqueles que ainda não escreveram o documento?

G: Na minha opinião, o Statement of Purpose (SoP) é o documento mais importante na aplicação pro doutorado nos EUA. O motivo é muito simples: este é o documento onde você pode “vender seu peixe” pra quem for ler e cabe a você redigi-lo da maneira mais convincente possível. Documentos como histórico escolar, diploma e currículo são apenas transcrições de atividades já encerradas e não abrem espaço pra mostrar sua personalidade e suas qualidades. No meu SoP, inicialmente eu me apresentei e mostrei um pouco da minha área de estudo e quais foram meus trabalhos finais de curso e de mestrado. Mas no decorrer do meu SoP eu busquei mostrar minhas qualidades que foram desenvolvidas durante certas situações já vividas. Por exemplo, eu citei minha jornada de vestibular. Na época, eu fiz vários vestubulares (inclusive militares) e cheguei a morar 1 ano em outra cidade pra me preparar melhor. Eu quis mostrar como eu me dediquei e trabalhei duro pra conquistar meus objetivos. E ainda mostrei que, com isso, eu me tornei uma pessoa muito mais focada e disciplinada, em termos de estudos. Ou seja, o importante é você mostrar suas qualidades/características que são importantes pra realizar um doutorado fora do país, mas ao mesmo tempo, tentar relacioná-las com alguma história de vida sua, mostrando sua personalidade. Por último, eu concluí com um parágrafo de expectativas/planos em relação ao futuro depois do doutorado. No final das contas, meu SoP teve apenas uma introdução da minha área acadêmica e o desenvolvimento foi baseado em experiências vividas (pessoais ou profissionais) pra mostrar um pouco da minha personalidade.

O importante não é apenas contar uma história, mas sim saber contá-la pra tirar máximo proveito dos seus pontos positivos.

Ficou curioso sobre a SoP da Gisele?? Ela muito gentilmente disponibilizou o documento na íntegra! VEJA

 

A: Sobre as suas notas nos exames requeridos (TOEFL e GRE), o que você acha que fez a diferença para ser selecionada em uma universidade de excelência?

G: Eu não acho que o TOEFL ou o GRE tiveram um papel fundamental nas minhas aprovações. Na prova do GRE, principalmente pra quem é da área de engenharia (meu caso), acredito que é importante você dar mais atenção ao Quantitative Reasoning (acima de 160 pontos já é uma boa pontuação). Talvez isso tenha me ajudado (ou não tenha me atrapalhado) nas minhas aprovações.

A: O nível das disciplinas nos EUA é muito diferente do nível brasileiro?

G: Aqui nos EUA o conceito das aulas é bem diferente do Brasil. A carga horária de aulas por semana é mínima (no meu caso, 1 aula de 2h30 por semana) e espera-se que o aluno absorva grande parte do conteúdo estudando em casa e fazendo os exercícios que os professores pedem (deveres de casa, projetos, artigos, etc). Ou seja, o processo de aprendizagem é muito mais “auto-didata” aqui nos EUA, enquanto que no Brasil as aulas são mais lapidadas, exigindo menos esforço do aluno pra compreender o conteúdo. Não sei se dá pra comparar o “nível” das disciplinas entre os 2 países, mas definitivamente, você terá muito mais trabalho e terá que estudar MUITO mais nos EUA.  

A: Mesmo com a proficiência do inglês comprovada, você teve alguma dificuldade em acompanhar as aulas?

G: Quando eu me mudei aqui pra NY, no dia seguinte eu já estava indo pra minha primeira aula, ou seja, não tive muito tempo de me adaptar com o inglês antes. Além disso, especificamente aqui em NY, existem pessoas de TODO lugar do mundo, o que dificulta um pouco mais pra entender o inglês de cada indivíduo. Ex: o inglês de um chinês é diferente do inglês de um indiano, que é diferente do inglês de um coreano, europeu, africano, sul-americano, e por aí vai. Eu demorei um pouco (umas 2 semanas) pra me acostumar com as aulas (principalmente com um professor chinês, que foi o que eu tive a primeira aula). Mas logo na terceira semana as coisas começaram a fluir mais naturalmente. Outra dificuldade que eu tive com o inglês foi em relação a alguns termos técnicos da minha área que eu não era familiarizada. Fiz uma matéria onde eu tinha que anotar as palavras que eu nunca tinha escutado antes pra depois procurar num dicionário inglês/português específico da minha área. Mas depois das primeiras semanas eu também acabei me acostumando.

A: Como tem sido sua rotina de estudos/trabalho? Como são os horários na faculdade e o tempo de estudo em casa? Existem finais de semana e, quem sabe, férias… ou ficaremos presos em masmorras estudando e pesquisando?

G: Meu primeiro semestre (Fall 2013) foi muito INTENSO, afinal era tudo muito diferente do Brasil. Inicialmente, tive dificuldades de adaptação em relação à universidade e ao ritmo de estudos. Como eu já disse, a carga horária de aulas é pequena. Fiz 4 matérias no primeiro semestre (12 créditos no total, que é o mínimo pra ser considerado full-time student), cada uma delas tinha apenas 1 aula por semana com duração de 2h30. Mas em compensação, minha carga horária de estudos em casa era sem limites. Eu estudava TODOS os dias, praticamente o dia inteiro. Eu até queria fazer alguma atividade extra (tênis, por exemplo), mas foi impossível. No segundo semestre agora a carga de estudos continua grande, mas eu já tenho uma noção de como as coisas funcionam. Ou seja, continua intenso, mas eu me acostumei e aprendi a lidar melhor com essa situação. Eu também dei início à pesquisa nesse semestre (estou trabalhando num grupo de pesquisa como RA = research assistant) e estou aprendendo a conciliar essa parte com os estudos.

O início pode ser complicado, mas o tempo é sem dúvidas nosso melhor amigo nessa jornada.

Quanto às férias, estou indo pro Brasil agora no final de maio. Antes disso, eu usei alguns feriados (Thanksgiving, Natal) e os breaks (fall e spring breaks) pra espairecer e viajar um pouco por aqui. [Elas existem, afinal!!]

A: Escolheu viver on campus ou off campus? Por quê?

G: Escolhi morar off campus por dois motivos: primeiro porque meu marido já morava aqui em Brooklyn antes e segundo porque o preço é bem mais acessível fora de Manhattan. O transporte público aqui em NYC funciona super bem, então não tenho problemas para me deslocar até a universidade, mesmo que eu leve 1h pra chegar lá de metrô.

A: É realmente possível viver tranquilamente com a bolsa da CAPES? Você já precisou usar o plano de saúde?

G: No meu caso, meu marido já morava e trabalhava aqui em NY antes de eu me mudar pra cá, então até que consigo viver tranquilamente com a bolsa da CAPES. Mas se não fosse por isso, o aluguel aqui em NY é bem caro e acredito que a bolsa cobriria no máximo os gastos básicos de moradia, comida e transporte. Depende muito da cidade para onde você vai. O plano de saúde pra estudantes aqui na Columbia University é da AETNA. É um plano bom que cobre as necessidades básicas. Eu já utilizei aqui 2 vezes (em um hospital fora da universidade) e paguei só 30 dólares de co-payment pra uma clínica onde fiz exames. O maior problema é o fato de não cobrir consultas odontológicas. E dentista é algo caro aqui nos EUA. Fora isso, até agora deu tudo certo.    

A: Quanto tempo demorou pra sair o seu visto? Que dia a LASPAU lhe enviou o DS-2019* ?

G: Meu visto/passaporte demorou 5 dias pra chegar na minha casa em Brasília, depois de ser aprovado na entrevista no consulado. O meu DS-2019 foi enviado pela LASPAU por email no dia 02 de julho e no dia 08 de julho eu o recebi por correio (que é o que importa). A versão escaneada recebida por email não pode ser utilizada pra levar pra entrevista do visto, apenas a versão original do documento é válida. Por isso, é importante marcar a entrevista no consulado quando você já estiver com o DS-2019 EM MÃOS.

*NOTA DOS ABROADERS: O DS-2019 é um documento enviado pela LASPAU para você, sem o qual não é possível solicitar o agendamento de uma entrevista na embaixada para retirar o visto.  

A: Qual opção você escolheu pra gerir suas finanças? A CAPES sugere/exige alguma?

G: A CAPES envia um cartão BB Americas pra TODOS os bolsistas de doutorado pleno nos EUA. É assim que funciona. Você terá uma conta no BB Americas e a CAPES irá depositar os pagamentos da sua bolsa APENAS neste cartão. Não tem como mudar isso. O que você pode fazer (quase todos os bolsistas aqui fizeram) é abrir outra conta em um banco americano qualquer e transferir sempre o dinheiro do BB Americas pro seu banco americano. A transferência é rápida, sem taxas, e sem limites diários (tem apenas um limite de $2.000,00 por transação, mas você pode realizar várias transações num mesmo dia). Ou seja, super tranquilo.

A: Você precisou modificar o plano que enviou para a CAPES? Como foi esse procedimento?

G: A renovação da bolsa da CAPES acontece de ano em ano. Eu estou renovando a minha bolsa agora (tenho até final de maio pra enviar os documentos). Nessa renovação, você pode modificar seu plano de estudos escrevendo outro (acredito que pode ser mais simples do que o primeiro que fizemos). No meu caso, provavelmente terei que modificar, mas parece que não tem muito mistério não. O pedido de renovação é feito através do site da CAPES (http://sacexterior.capes.gov.br/sacexterior/) em Formulários Online. Alguns dos documentos que devemos enviar são: avaliação do orientador, cronograma de estudos, histórico escolar, relatório acadêmico.

A: Como está sendo a adaptação ao PhD até agora?

G: Eu diria que o primero semestre é o mais difícil em todos os sentidos. Eu nao conhecia ninguém e tive que me virar em tudo sozinha. Eu via que tinham muitos grupos (de chineses, indianos, americanos, etc) nas aulas de engenharia aqui. Foi difícil quebrar um pouco essa “segregação”, mas o que me ajudou muito a me inserir mais na universidade foi o meu grupo de pesquisas que tem 12 pessoas (9 são chineses, contando com meu professor).

Acho importante essa inserção dos alunos na universidade de algum modo. Minha dica é: tente conhecer pessoas e fazer amizades seja participando de um grupo social ou de pesquisa, seja fazendo algum tipo de atividade. Enfim, acho importante ter alguém pra conversar, tirar dúvidas, pedir ajuda, discutir sobre pesquisa em geral, etc. Isso pode ajudar muito na sua adaptação.

Hoje, eu já estou mais envolvida com a pesquisa, além das disciplinas. Aqui nos EUA, a pesquisa na universidade é muito valorizada. Geralmente, os projetos são apoiados financeiramente por empresas que investem pesado mesmo. Isso é super motivador! Acho importante essa conexão entre universidade e indústria (principalmente na área de engenharia).  

A: Que principal conselho você daria a quem está enfrentando esta jornada agora: tanto aos que já estão fazendo as malas como aos que estão iniciando suas candidaturas?

G: Aos que estão iniciando o processo agora, a caminhada é longa, cheia de obstáculos, mas tenha fé e muita paciência, acredite no seu potencial até o fim e não tenha medo de ousar nas suas escolhas. É possível pra TODOS! E pra quem já está na jornada, o conselho que eu dou é que tenham muita persistência e preparem-se (em todos os sentidos) pra virem pra cá! O choque é grande, mas além de toda a experiência acadêmica/profissional, a experiência de vida e o seu crescimento como indivíduo são impagáveis! Vale a pena!